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quarta-feira, 2 de agosto de 2017

A Amazon Lex anuncia disponibilização para ativar interfaces de conversação


Agora a Amazon Lex, plataforma por trás da Amazon Alexa, anuncia disponibilização geral do produto para criar bots de chats com voz e aplicativos para dispositivos móveis, web e desktop.
A Amazon Lex foi apresentada como um beta de pré-visualização na última edição do AWS Re:invent para deixar os desenvolvedores começarem experimentar a incorporação de interfaces de conversação em seus aplicativos. A Lex fornece o reconhecimento de fala automática (ASR) e algum tipo de compreensão de linguagem natural (NLU) no contexto de um bot, que fornece uma estrutura framework para acessá-los. Um bot inclui:
  • Finalidade, que representa os objetivos que o usuário deseja alcançar. Isso pode consistir em obter a resposta de uma pergunta, realizar uma ação em algum serviço remoto, etc.
  • Expressões, que são frases associadas às várias finalidades e objetivos. Uma expressão pode ser vista como um modelo de frase que contém, opcionalmente, espaços reservados, chamados slots, cujos valores são dados nas expressões fornecidas pelos usuários.
  • Slots, que fornecem, como mencionado acima, um mecanismo para representar ideais para a criação de uma expressão. Cada slot representa uma forma específica de informação, como números, anos, cidades, países, etc. Tipos de slots personalizados também podem ser usados para lidar com várias ideias de criação de expressão, como por exemplo, uma lista de ações, cores, etc.
  • Prompts, que são perguntas que a Lex pode fazer aos usuários para que eles fornecem alguma informação que não foi fornecida anteriormente. Prompts são importantíssimos na hora que permitir conversas reais que abrangem múltiplas trocas verbais entre o usuário e um bot da Lex.
  • Satisfação, que é o nome escolhido pela Amazon para identificar o serviço Lambda AWS responsável por satisfazer os objetivos dos usuários. Essa lógica de negócio pode contar com a Lex para fornecer a função finalidade para discernir as expressões do usuário, sem contar os valores reais dos slots encontrados nas expressões.
Os desenvolvedores que criaram as habilidades da Alexa, reconheceram aqui uma estrutura muita parecida com a usada para a Alexa - as duas principais diferenças são que o bot é, no caso da Alexa, uma habilidade, e que as características da Alexa não se limitam ao uso do AWS Lambda e assim permite usar qualquer endpoint para a implementação back-end.
No momento do anúncio da pré-visualização, a Amazon mostrou um bot de chat no Facebook Messenger. Um maior suporte para interagir com mais serviços já foi então adicionado, incluindo o Slack e o Twilio. Mais importante ainda, os AWS SDKS incluem agora um suporte para criar aplicativos para iOS e Android, tal como aplicativos para a Web e desktop que usam vários idiomas diferentes que fazem a Lex interagir com seus usuários. O Console da Lex fornece uma série de facilidades para definir as expressões e suas associações com as finalidades e objetivos que compõem um bot, bem como para monitorar as expressões que não foram reconhecidas suas finalidades.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Chatbot: a nova moda no atendimento

Por Alberto Sampaio de Oliveira, da VoxAge
Publicado originalmente no site MobileTime

Desde o surgimento das centrais de atendimento na década de 1970, que ajudavam a estreitar o relacionamento entre as empresas e seus clientes, várias tecnologias surgiram e foram agregadas a estas centrais com o objetivo de saciar os anseios e as conveniências dos consumidores por vários meios de contato. A reboque de todas estas tecnologias, vieram as soluções de autoatendimento que imprimiram uma nova condição nesta relação. Ainda hoje, para alguns clientes e consumidores, o autoatendimento é algo abominável enquanto que, para outros, é a solução para se ganhar agilidade e diminuir o estresse na solicitação do serviço. Fato é que nem de perto existe uma unanimidade entre os clientes a respeito dos serviços de autoatendimento. Vale lembrar que esta polarização do autosserviço não está circunscrita às centrais de atendimento, sendo percebida também nos serviços bancários, nos check-in das companhias aéreas, no abastecimento do carro, nos restaurantes e tantos outros.

Surge agora uma nova tecnologia que vem apimentar ainda mais esta discussão dos que “amam” e dos que “odeiam” o autoatendimento: o famoso chatbot. Hoje já podemos chamá-lo de “famoso”, pois, por todo lado que se olha, só se vê todo mundo falando deste tal de chatbot.

Mas, antes, vamos conceituar o que é o chatbot. A palavra “chat” significa, segundo a Wikipédia, “conversação ou bate-papo, neologismo que designa aplicações de conversação em tempo real” e a terminologia “bot” nada mais é do que o diminutivo de "robot" (robô em inglês), uma aplicação de software concebida para simular ações humanas repetidas vezes de maneira padrão, da mesma forma como faria um robô. Em suma, o chatbot é um robô batendo um papo com o cliente. A grande dúvida que surge é: “que papo é este?” E é aí que mora o perigo.

Ilude-se aquele que acha que é só colocar uma tecnologia de chatbot no ar que tudo estará resolvido e que os clientes terão mais um novo canal “lindo e maravilhoso” para se relacionar com a empresa. Na verdade, a tecnologia é só uma parte de toda esta engenhoca e eu arrisco dizer que nem é a mais importante. Ensinar o robô, monitorar os atendimentos e retroalimentar esses ensinamentos certamente são os grandes desafios. Sem falar na importância da integração com os sistemas corporativos da empresa para prestar um autosserviço assertivo e de qualidade.

Agora, quando falamos em robô com o uso de Inteligência Artificial (IA), segundo James Wilson, Paul R. Daugherty e Nicola Morini-Bianzino, todos da Accenture, começam então a surgir novos personagens importantes nesta história: os Trainers, os Explainers e os Sustainers.

TRAINERS - São aqueles que treinam o robô. Eles são responsáveis por ensinar os chatbots a identificar as complexidades e as sutilezas da comunicação humana. Eles podem chegar a treiná-los para demonstrar compaixão, serem empáticos e até detectar o sarcasmo no diálogo humano-máquina.

EXPLAINERS - São os responsáveis pela explicação dos termos técnicos e funcionalidades do chatbot para as áreas de negócio da empresa, de modo que fique claro para toda a organização os propósitos dos serviços oferecidos pelo atendimento através do chatbot e os resultados esperados. Além disso, este profissional deve estar atento aos eventuais comportamentos equivocados do robô que possam trazer consequências negativas não intencionais para a empresa e/ou seus clientes.

SUSTAINERS - São os profissionais que devem monitorar o atendimento/funcionamento do chatbot de modo a identificar cenários não previstos e encaminhar para os Trainers para que o robô seja treinado para atender a estes novos cenários. Eles são responsáveis também por garantir a ética e o compliance no atendimento do chatbot, trabalhando sempre muito integrado aos Trainers e Explainers.

Outro aspecto fundamental é a atenção às armadilhas na implementação do chatbot na sua central de atendimento:
·         Atendimento chatbot dissociado dos demais canais de atendimento - O atendimento do chatbot precisa fazer parte da estratégia de relacionamento da empresa com seus clientes, preferencialmente integrado com todos os outros canais.
·         Chatbot não deve ser apresentado como um humano para seus clientes -  Para evitar qualquer malentendido com os clientes é importante que fique claro para eles que o atendimento está sendo realizado por um robô. Uma boa prática é batizar o robô com um nome, utilizar a figura de um avatar e se apresentar como um atendente virtual.
·         Nunca deixe o chatbot como a única alternativa no atendimento ao cliente - Por mais bem preparado que esteja o chatbot para atender as demandas dos clientes, podem surgir situações em que seria melhor para a experiência do cliente falar com um atendente humano. Isso pode evitar a frustração do cliente com o atendimento e o uso do chatbot.
·         Chatbot precisa evoluir sempre - Os negócios, as empresas, os produtos e os clientes estão sempre em constantes mudanças. Diante disso, é importante que o robô acompanhe essas mudanças com a manutenção dos conteúdos, novas integrações, disponibilização de novos serviços e evolução dos diálogos.
·         O acesso ao ChatBot deve ser facilitado para os clientes - Assim como normalmente as empresas dão destaques em suas publicações para o telefone de contato, o e-mail e o webchat, o acesso ao chatbot também deve ser amplamente divulgado.
·         Vários departamentos da empresa devem colaborar para a evolução do robô - A disponibilização de um chatbot no atendimento não deve ser tarefa exclusiva da equipe de TI da empresa. Áreas como Marketing, Produtos, Vendas, Suporte a Clientes, dentre outras, têm muito a colaborar para que a experiência do cliente seja única no uso do chatbot.
Em resumo, o atendimento através de ChatBot está na moda e o que tudo indica é que esta moda deve durar por muito tempo, principalmente se as empresas souberem entrar nela com elegância, profissionalismo e requinte, não negligenciando a sua implementação, evolução, aperfeiçoamento e monitoramento dos resultados.

Alberto Sampaio de Oliveira é diretor de relacionamento com cliente da VoxAge