O processo, aberto pelo Condado de Marin, nos Estados Unidos, acusa a Deloitte de prometer habilidades e capacidades que não conseguiu entregar.
O Condado de Marin, na Califórnia (EUA), está processando a empresa de consultoria Deloitte por conta de um projeto malsucedido de ERP (sistema de gestão empresarial) da SAP. No processo, a cidade pede uma indenização de 30 milhões de dólares.
No processo, aberto na Corte Superior do Condado de Marin, na última sexta-feira (4/6), há uma acusação de que a Deloitte não descreveu de forma correta suas habilidades e capacidades quando se candidatou a executar o projeto de implementação do ERP, em 2004.
Em um documento de 38 páginas, o Condado alega que a Deloitte mentiu quando prometeu montar uma equipe com seus “melhores recursos” para o projeto e quando afirmou ter “profundo conhecimento de SAP e do setor público”.
Ainda de acordo com o processo, as informações erradas resultaram em um projeto ruim e em uma implementação deficiente, o que exigiu alguns milhões de dólares para corrigir as falhas.
Contraqueixa
A Deloitte, por sua vez, afirma que cumpriu todas as obrigações previstas em contrato. A empresa entrou com uma queixa administrativa para o Quadro de Supervisores do Condado de Marin, exigindo mais de 444 mil dólares em honorários não pagos, e mais 111 mil dólares a título de encargos.
“Para ser claro, o software SAP estava funcionando apropriadamente quando completamos nosso trabalho em novembro de 2007”, disse um porta-voz da empresa, por e-mail.
“Apesar de estarmos confiantes que nossa posição será vitoriosa, acreditamos que essa disputa pode e deve ser resolvida de forma mais lógica, o que beneficiaria o Condado e seus contribuintes”, afirmou a Deloitte, no comunicado.
De acordo com a queixa, o Condado de Marin contratou a Deloitte para substituir seu velho sistema de recursos humanos, pagamento e gestão financeira porque não tinha as habilidades necessárias para efetuar a tarefa dentro de casa.
Casos similares
Vários processos que questionam implementações falhas de ERP têm sido abertos nos últimos anos. A única diferença em relação ao processo do Condado de Marin está no fato de que o réu nesse caso é um integrador e não o fornecedor do sistema.
Há dois meses, por exemplo, um processo entre a SAP e um de seus clientes, Waste Management, foi silenciosamente encerrado mediante acordo, cujo valor não foi divulgado.
A Waste Management já tinha processado a SAP por fraude depois de incorrer em danos significativos causados por um projeto de ERP de 100 milhões de dólares que, segundo o cliente, revelou-se um completo desastre. Da mesma forma, em agosto de 2009, a Public Health Foundation Enterprises processou a Lawson Software por uma implementação falha de ERP.
Nossa Opinião
Diante da importância de uma solução "core" para a empresa cliente, cada vez mais se torna importante a elaboração de contratos perfeitos do ponto de vista jurídico. Tanto para salvaguardar o cliente como para proteger o fornecedor. No artigo em questão vemos duas das maiores empresas do mundo em seus segmentos --- TI e Consultoria ---, respectivamente SAP e Deloitte.
É sabido que um projeto SAP custa em média cerca de U$ 10.000.000, customização e implantação incluídos!!.
Também é notório que a taxa de insucesso de implantações envolvendo SAP é muito grande. Em torno de 60%. Leia-se insucesso por custo final muito maior do que o planejado ou tempo de implantação muito fora do previsto.
Onde está o problema? O SAP é ruim? A Deloitte não sabe implantar sistemas? Acredito que nem uma coisa, nem outra. A dificuldade está em gerenciar mudanças.
Mudanças tiram as pessoas de suas áreas de conforto. E a maior parte não convive bem com isso. E resiste a essas mudanças. Só que isso não aparece em nenhum documento, em nenhum planejamento. É a resistência silenciosa
Agora pense. O SAP, sua abrangência, trata de sistemas estáveis como folha de pagamento, contabilidade, chão da fábrica.
E se estivéssemos falando de software para crédito e cobrança? Onde a mudança faz parte do cotidiano.
Comecei falando, que o contrato entre as partes deve ser um instrumento jurídico perfeito. Acrescento que as propostas aprovadas, devem ser anexos dos contratos firmados entre as partes. Dessa forma o cliente sabe o que está comprando e o fornecedor sabe o que vendeu e se comprometeu a entregar. Sem deixar dúvidas. Assim vale o que está escrito.
Encerrando, penso que quem compra tem que saber exatamente o que está comprando em termos de funcionalidades do software, treinamento, customização, suporte e acordo de nível de serviços. Quem vende tem que ser claro o suficiente para que nenhum dos itens envolvidos na proposta caia na área cinzenta. Se isso é conseguido, temos um acordo de vida longa, sem problemas no futuro.