Mostrando postagens com marcador Crise do Euro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Crise do Euro. Mostrar todas as postagens

domingo, 19 de agosto de 2012

Fundo de resgate bancário da Espanha vai absorver ativos podres dos bancos do país



MADRI — A Espanha vai colocar seu fundo de resgate bancário (Frob) como encarregado dos ativos podres dos bancos do país que receberem ajuda do pacote de socorro europeu.
O fundo Frob será o principal acionista de um banco de ativos podres, de acordo com uma proposta que será aprovado pelo Conselho de Ministros do país no dia 24, disse o ministro da Economia, Luis de Guindos.
Segundo ele, todos os bancos que receberem empréstimos dos fundos de resgate europeus terão que transferir seus ativos podres para o novo banco controlado pelo Frob. Os comentários foram confirmados por um funcionário do governo espanhol, que pediu para não ser identificado.
O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, luta para evitar um segundo resgate, dessa vem mais amplo, depois de ter solicitado 100 bilhões de euros para recapitalizar seus sistema bancário. O país está em sua segunda recessão desde 2009 e enfrenta problemas para financiar sua dívida, aumentada pelo custo do resgate.

sábado, 9 de junho de 2012

Ministros da zona do euro discutem hoje ajuda a bancos da Espanha


Por Valor, com agências internacionais

Começou no fim da manhã deste sábado a teleconferência em que os ministros de finanças da zona do euro discutem a possibilidade de injetar dinheiro no sistema bancário da Espanha, enfraquecido pela crise financeira.
A Espanha ainda não formalizou o pedido de ajuda; na sexta, uma fonte da zona do euro que não quis se identificar disse que é provável que uma solicitação por parte do governo espanhol aconteça após a teleconferência, na tarde deste sábado.
Na véspera, relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) estimou que os bancos mais fragilizados do país necessitem de pelo menos 37 bilhões de euros (US$ 47 bilhões) em suas reservas.
Segundo a fonte da zona do euro, a Espanha ainda não solicitou formalmente o socorro financeiro porque está estudando em detalhes o conteúdo do relatório divulgado pelo FMI.
Reportagem publicada neste sábado pelo site do "The Wall Street Journal" afirma que as autoridades da zona do euro debatem a possibilidade de firmar compromisso para que, quando e se solicitados pelo governo espanhol, ajudem o sistema bancário da Espanha com uma quantia de 100 bilhões de euros (US$ 125 bilhões), segundo informações publicadas neste sábado.
Citando uma fonte oficial de um país da zona do euro, a reportagem diz que as autoridades passaram a manhã do sábado definindo o esboço de um comunicado conjunto da proposta para ser discutido durante a teleconferência que acontece hoje.
A teleconferência que acontece hoje foi agendada ontem por altos representantes da zona do euro e ministros de Finanças da União Europeia.
Na sexta, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, defendeu que a zona do euro adote medidas específicas com o intuito de resolver a crise da dívida, como a injeção de capital nos bancos para estabilizar o sistema financeiro da região.
Obama elogiou a postura dos líderes europeus, incluindo a da primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, de começar a discutir o crescimento e não apenas a austeridade. Ele afirmou também que a Grécia enfrenta escolhas difíceis, mas é do interesse de todos que o país permaneça no bloco.


quarta-feira, 23 de maio de 2012

Tragédia Grega

A tragédia grega é o resultado de péssimas práticas políticas da social-democracia européia. Abusos contra as finanças públicas. Demagogia no tratamento de assuntos previdenciários.  Obscurantismo da legislação trabalhista. A Adoção do euro, uma moeda forte por sua dimensão continental, apenas revelou o que já se sabia: o descolamento entre salários, aposentadorias e benefícios crescentes, de um lado, e o declínio da produtividade européia. 

domingo, 29 de abril de 2012

Pé no freio dos bancos agrava crise em Portugal, aponta consultoria


SÃO PAULO - O sistema financeiro de Portugal encontra-se em apuros na avaliação da consultoria britânica Lombard Street Research (LSR). Economistas da instituição veem o país vulnerável ao pé no freio dos bancos, sob risco do governo precisar assumir passivos do setor privado e, assim, dificultar o controle das finanças públicas portuguesas.

“Os bancos portugueses continuam excessivamente expostos em dívida corporativa, o que, combinado com o crescimento econômico muito fraco, eleva a possibilidade de perdas significativas”, observa a economista Kasia Zatorska em relatório.
Segundo a especialista da LSR, atualmente em Portugal, dois terços dos recursos captados pelas empresas são financiados por bancos, com cerca de metade dos empréstimos oriundos de bancos locais. E o tamanho chama a atenção. O endividamento das firmas e das famílias no país está entre os maiores na zona do euro, chegando a 138% e 93% do Produto Interno Bruto (PIB), respectivamente.
Eis aí um problema de dois ângulos. De um lado, há o impacto do declínio nos lucros das companhias e da alta taxa de desemprego na qualidade do crédito dos bancos. A taxa de inadimplência em Portugal segue em trajetória crescente desde 2009, chegando perto de 8% em fevereiro, contra 2,7% em janeiro de 2009.
Por outro lado, destaca a economista da consultoria, em toda a Europa vigora hoje um cenário de desalavancagem das instituições financeiras. Os bancos são pressionados pelo avanço das exigências de capital por parte das autoridades reguladoras e do próprio Fundo Monetário Internacional (FMI).
De acordo com o relatório de Kasia, os bancos públicos portugueses já reservaram mais de 2 bilhões de euros em esforço para alcançar os novos requerimentos de capital. Uma iniciativa do governo de Portugal vai liberar mais 4 bilhões de euros dos cofres públicos para as instituições privadas.
Mas essa mão do estado pode não parar por aí. A hipótese da LSR é de que haveria uma necessidade natural de migração das dívidas de empresas e famílias para a carteira das instituições estatais. Isso tornaria ainda mais dura a tarefa do governo português de reduzir a dívida pública do país e voltar a atrair investidores sem pagar juros muito elevados.
Para Kasia, a situação em Portugal evidencia que, embora a injeção de liquidez nos bancos promovida pelo Banco Central Europeu (BCE) tenha dizimado os riscos de pressão aguda no sistema financeiro europeu, ela não resolveu as principais causas do problema.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Empréstimos podres na Espanha atingem máxima em 18 anos


MADRI - A proporção de empréstimos podres dos bancos espanhóis atingiu o maior nível em 18 anos em fevereiro, acima de 8,0%, segundo dados do Banco Central da Espanha. Em fevereiro, 8,16% dos empréstimos totais dos bancos, ou € 143,82 bilhões, estavam inadimplentes há mais de três meses, mais do que a proporção de 7,91% registrada em dezembro.
Esse é o maior porcentual desde maio de 1994 e contrasta com os níveis menores de 1,0% dos empréstimos totais que eram observados antes do colapso do mercado imobiliário espanhol em 2008. As informações são da Dow Jones.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Dívida privada deve limitar crescimento na UE por anos


A dívida pública recebeu a maior parte das atenções desde que a crise de dívida europeia estourou mais de dois anos atrás. Mas pode-se dizer que a dívida do setor privado é um problema ainda mais indigesto, e os governos, em particular os da zona do euro, não parecem inclinados a adotar políticas audaciosas que aliviariam esse fardo na economia da região.
A origem do problema da dívida privada está nas hipotecas: os preços dos imóveis dispararam em vários países da Europa, e os bancos estavam dispostos a emprestar somas cada vez maiores aos compradores. O boom do mercado imobiliário desde então se esfacelou na maior parte do continente, mas os financiamentos garantidos por imóveis permanecem como uma pesada corrente pendurada no pescoço dos consumidores europeus.
Economistas já descobriram uma forte ligação entre consumo, booms de crédito e preços de imóveis em queda: os países que experimentaram um rápido crescimento nas dívidas das famílias vão sofrer uma queda mais drástica no consumo depois de um estouro da bolha imobiliária do que aqueles em que o endividamento aumentou mais devagar. Se você tomou emprestado um monte de dinheiro para comprar a sua casa (e o terreno onde ela se situa), e então os preços caíram logo depois, há uma probabilidade maior de que você vai preferir pagar a dívida a comer em restaurantes, comprar um carro novo ou reformar a casa.
Essas decisões, multiplicadas por toda a economia, estão emperrando os países europeus, como a Holanda, a Dinamarca e o Reino Unido, que passaram por booms de crédito.
"Estouros de bolhas imobiliárias precedidos por grandes aumentos nas dívidas das pessoas físicas tendem a ser mais severos e duradouros", afirmou o Fundo Monetário Internacional num relatório este ano.
As evidências desse efeito são nítidas na Europa. Na Holanda e na Dinamarca, onde os níveis de dívida tiveram um forte aumento antes da crise, o consumo doméstico caiu 3,3% e 3% respectivamente desde 2008. No Reino Unido, depois dez anos de crescimento notável da dívida das famílias, o consumo caiu 3,5%.
As famílias alemãs, que na verdade viram sua dívida diminuir em relação à sua renda disponível durante os últimos dez anos, consumiram 2,4% mais no ano passado do que em 2008.
O que a Europa pode fazer? O bloco passou incontáveis horas concebendo fórmulas para prevenir que bolhas imobiliárias e booms de crédito entrem numa espiral descontrolada. Há um novo "placar" macroeconômico com indicadores que mostram que a situação econômica de um país poderia não ser sustentável, e com penalidades para os países da zona do euro que não agirem para remediar a situação.
Mas todas essas políticas baseavam-se mais na prevenção, uma meta louvável mas também inútil para os países que estão afundados na esteira de um boom de crédito e de uma bolha imobiliária que estourou. E, infelizmente, as regras da UE tornarão muito difícil aliviar a carga de dívida das famílias acumulada durante os últimos dez anos.
As políticas fiscais geralmente podem ajudar. Elas ajudaram nos Estados Unidos, onde gastos do governo ajudaram a diminuir alavancagem no setor privado. Mas as regras fiscais da UE estão forçando todos os governos a trazer os seus déficits para baixo do limite de 3% do produto interno bruto imposto pelo bloco.
Tampouco a política monetária deve prestar algum socorro. As taxas de juros nos mundo desenvolvido já estão baixas, e na zona do euro o Banco Central Europeu não parece disposto a embarcar num programa contínuo e heterodoxo de relaxamento monetário.
"Eu receio que tenhamos escolhido, numa maneira muito masoquista, o caminho mais doloroso, onde todo mundo sangra", diz Paul De Grauwe, professor de economia da Universidade Católica de Lovaina, na Bélgica.
Finalmente, um programa audacioso de perdão das dívidas pode fazer a diferença, disse o FMI no seu relatório. Durante a Grande Depressão dos anos 30 nos EUA, por exemplo, a Corporação dos Empréstimos a Donos de Imóveis comprou dos bancos cerca de um milhão de hipotecas inadimplentes e renegociou condições melhores para os devedores, ajudando a aliviar a pressão sobre o consumo das famílias atoladas em dívidas.
As autoridades europeias, entretanto, provavelmente não vão implementar um programa desse tipo, por uma série de razões. O maior obstáculo é o problema político associado a, diga-se, famílias espanholas dizendo aos seus credores alemães que não vão pagar suas dívidas.
"Também não há ninguém para forçar isso a acontecer", disse De Grauwe. "Você realmente precisa de um governo federal, e nós não temos isso no âmbito da Europa."
Sem solução política em vista, os altamente endividados consumidores europeus poderiam estar diante de um longo período em que uma lenta desalavancagem continuará reprimindo o consumo.

Dívida das famílias derruba consumo privado na Europa



A dívida pública recebeu a maior parte da atenção desde que a crise de dívida europeia estourou, mais de dois anos atrás. Mas pode-se dizer que a dívida do setor privado é um problema ainda mais indigesto, e os governos, em particular os da zona do euro, não parecem inclinados a adotar políticas audaciosas que aliviariam esse fardo na economia da região.
A origem do problema da dívida privada está no financiamento imobiliário: os preços dos imóveis dispararam em vários países da Europa, e os bancos estavam dispostos a emprestar somas cada vez maiores aos compradores. O boom do mercado imobiliário desde então se esfacelou na maior parte do continente, mas os financiamentos garantidos por imóveis permanecem como uma pesada corrente pendurada no pescoço dos consumidores europeus.
The Wall Street Journal

domingo, 4 de março de 2012

A sociedade da incerteza



Portugueses temem agravamento da crise econômica que assola o país



Portugal não costuma ter muitos momentos de destaque nas páginas dos jornais, e a população se irrita quando vê o país ser ignorado nas previsões de tempo continentais. Infelizmente, o momento português sob os holofotes surgiu por todos os motivos errados. Lucros sobre os títulos de dez anos da dívida ficaram em 17% no início do ano, indicando que Portugal pode ser o próximo palco da crise do Euro. Cada vez que a Grécia se aproximava mais de uma moratória, os credores se preocupavam mais com Portugal e, por maiores que fossem as diferenças entre os países, nada parecia reverter esse cenário.   do tempo ser ignorada  Ainda assim, essas diferenças são gritantes. No dia 11 de fevereiro, um dia antes de 45 prédios e várias bandeiras alemãs serem queimadas em Atenas, o maior sindicato de Portugal realizou um protesto contra os cortes nos gastos públicos. Os manifestantes seguiram pelo centro de Lisboa, marchando pela Avenida da Liberdade, onde estão localizadas lojas de marcas como Gucci e Prada. Não houve qualquer incidente, e as vidraças das lojas permaneceram intactas. Enquanto isso, o governo preparava os últimos ajustes na reforma que deve flexibilizar o mercado de trabalho, seguindo exigências da Troika formada pela Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional, em troca de proteção temporária dos perigos dos mercados de títulos.
Um governo povoado por tecnocratas, empurrando reformas impopulares por imposição de órgãos internacionais, parece o cenário ideal para o crescimento do extremismo. Mas Portugal não tem políticos prontos para se beneficiar da desilusão com a política tradicional. Suas reformas são apoiadas pelos dois principais grupos políticos, que concentram dois terços dos votos. O resto vai para uma mistura de monarquistas excêntricos, membros do Partido Verde e comunistas, e mesmo essas alternativas precisam de renovação. “Precisamos pagar a dívida, mas os prazos e as taxas de juros exigidas não são realistas”, diz Jorge Pires, um membro do Partido Comunista Português (que até hoje mantém foice e martelo amarelos em sua bandeira vermelha).
Essa coesão deverá passar por testes duros. A Troika aprovou recentemente o programa de reformas e reforço fiscal de Portugal, mas o PIB nacional deverá registrar uma queda de 3% ou mais em 2012. Essa notícia surge após cortes de 20% no setor público e reduções salariais. O desemprego, que chegou a 14% em 2011, deve aumentar ainda mais em 2011. Em tese, a economia então se recuperaria, liderada pelas exportações, e o governo retornaria ao mercado de títulos no outono de 2013. Mas é difícil encontrar um analista que acredite nisso, já que o principal mercado para as exportações portuguesas, a Espanha, tem seus próprios problemas econômicos. O Citigroup espera que o PIB seja reduzido nos próximos três anos. Logo, Portugal tem grandes chances de acabar dependendo de um segundo resgate financeiro.
“A sociedade portuguesa está passando da certeza para a incerteza”, diz o sociólogo Antonio Barreto. “O governo precisa ser cuidadoso, porque está mexendo com os pontos fracos do país”. Mas ao contrário dos gregos, os portugueses não culpam estrangeiros por seus problemas, e aceitam que são os senhores de seu próprio destino. Eles gostam de notar que, ao contrário do que acontece na Espanha, suas touradas terminam com o touro sendo derrubado por homens desarmados. Mas as batalhas que importam para o governo em Lisboa serão travadas em Atenas, Bruxelas e Berlim.
PS: O artigo pode ser lido em seu original em Inglês, publicado no link abaixo

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Analistas e empresas traçam planos para fim do euro



O símbolo do Euro, em frente a sede do Banco Central Europeu, em Frankfurt: analistas desenham cenários sem a moeda única europeia Foto: Daniel Roland / AFP
O símbolo do Euro, em frente a sede do Banco Central Europeu, em Frankfurt: analistas desenham cenários sem a moeda única europeiaDANIEL ROLAND / AFP

SÃO PAULO — A crise da dívida da União Europeia (UE) tem abalado as estruturas da economia mundial e deixado alguns em dúvida sobre o futuro do euro como moeda comum do bloco. No site do americano Wall Street Journal, um dos mais importantes jornais econômicos do mundo, uma pergunta, no início de dezembro, desafiava os leitores a refletir sobre o futuro: “Você acredita que o euro vai existir daqui a dez anos?” A maioria dos economistas, que acompanha a crise da dívida na Europa, avalia que a possibilidade de que a Europa “quebrar” e a moeda única se desintegrar é muito pequena. Mas essa visão não é unânime. Algumas empresas na Europa já começam a traçar planos para o caso de um colapso do euro. E já há muitos analistas de mercado projetando os cenários econômicos caso um ou mais países, como Portugal ou Grécia, abandonem a moeda europeia comum, que em 2002 nasceu para concorrer com o dólar.

A Volkswagen Autoeuropa, de Portugal, já começou a traçar um plano de emergência em caso do fim do euro ou de Portugal abandonar a moeda comum. O diretor financeiro da empresa, Jurgen Dieter Hoffmann, disse ao jornal britânico Financial Times, que como a empresa automobilística é uma das maiores exportadoras de Portugal e faz parte de um grupo mundial, o impacto não seria tão negativo, sem revelar detalhes. Na Alemanha, a operadora de turismo TUI tomou uma medida mais radical. A empresa começou a a exigir a renegociação dos contratos com hotéis gregos expressos em dracmas, a moeda grega antes da entrada do euro. A medida é uma prevenção caso a Grécia saía da zona do euro. O câmbio usado nas transações não foi revelado, mas um estudo feito pela corretora Nomura mostrou que a dracma teria uma desvalorização de pelo menos 57% em relação ao dólar e ao euro, caso fosse restabelecida.— Antes da crise da dívida chegar à Itália, a chance do desaparecimento do euro ou de que alguns países abandonem a moeda única era de menos de 10%. Mas essa possibilidade cresceu significativamente nos últimos três ou quatro meses. Não é um risco que possa ser negligenciado. Ainda não chegamos ao fim da crise e, portanto, acidentes acontecem — disse ao GLOBO o estrategista Jens Nordvig, da corretora japonesa Nomura.
O grupo de varejo Sonae, também de Portugal, encomendou um estudo para saber qual seria o impacto para a economia caso o país abandonasse o euro. O trabalho já foi apresentado à direção da empresa, há um mês, e o Sonae informou que ainda não tem um plano B. O estudo mostrou um quadro muito ruim. Se Portugal voltasse ao escudo e abandonasse a zona do euro, haveria uma queda no valor dos salários e das poupanças entre 30% e 50%, trazendo consequências drásticas para o consumo. O custo de abandonar o euro, ficaria entre 9.500 e 11.500 “per capita” para cada português.
Até alguns bancos centrais já estão preocupados com a possibilidade de ruptura. O BC da Irlanda, por exemplo, já estaria preparando um esquema para imprimir moeda local para substituição do euro. Montenegro, nos balcãs, não tem capacidade para imprimir moeda. O país usava o marco alemão antes da chegada do euro. Agora já pensa numa moeda própria, em caso do fim do euro, terceirizando a impressão.
— O fim do euro ou o abandono da moeda única por alguns países provocaria um cenário econômico difícil de prever. As consequências seriam globais e muito piores do que a quebra do banco Lehman Brothers — diz o economista Raphael Martello, da consultoria Tendência de São Paulo.
Um estudo do Capital Economics, um instituto de análises econômicas, mostrou que se apenas Grécia e Portugal deixassem a zona do euro nos próximos dois anos, o PIB da zona do euro seria reduzido em 1% em 2012 e 2,5% em 2013, a mesma queda registrada na crise de 2008/2009 com a quebra do Lehman Brothers. O banco UBS estimou que se apenas a Grécia abandonasse o euro, isso custaria entre € 9.500 e € 11.500 per capita. Se a Alemanha abandonasse a moeda comum, diz o UBS, o custo por habitante seria de € 6.000 mil a € 8.000 mil.
O estudo do UBS calculou que se a Alemanha abandonar o euro, terá pelo menos um milhão de postos de trabalho dizimados, além de uma redução do PIB de cerca de 3%. Além disso, com uma nova moeda valorizada, a Alemanha perderia terreno nas exportações. O impacto, segundo análise da seguradora Allianz, seria uma redução de 50% nas vendas ao exterior.
Um levantamento da Corretora Nomura mostrou que se a Alemanha voltasse a usar o marco, seria a única moeda da região a ter valorização frente ao dólar e ao euro.
— Sair do euro ajudaria a resolver um problema de câmbio, com desvalorizações das novas moedas, dando fôlego às exportações. Mas o custo para cada país reestruturar sua dívida seria muito mais elevado. Além disso, estar na zona do euro, baixou o custo de captação de recursos para todos. O problema é que, em caso de ruptura, os países perdem acesso ao mercado financeiro. Todos terão dificuldades de financiamento, inclusive as empresas, pois o crédito deve secar. Certamente haverá o travamento de um fluxo de capital importante, e sem precedentes, que pode levar a uma recessão global — avalia o economista Raphael Martello, da Tendências.
Num cenário de caos financeiro, o cidadão comum corre para sacar seu dinheiro do banco. Isso seca o crédito e dificulta o acesso ao capital para as companhias. As empresas, por sua vez, cortam produção, demitem e o crescimento econômico fica travado. É o cenário mais propício para a instabilidade social.
— Por isso, ninguém espera uma ruptura total da moeda, mas sim de saída de algumas nações da zona do euro. Os efeitos do fim do euro seriam muito drásticos e assim é melhor se esforçar e tentar salvá-lo — diz o economista Martello.


quarta-feira, 23 de junho de 2010

Ilhas gregas estão à venda

Ilha de Rhodes está entre as áreas postas à venda

De acordo com o jornal britânico Guardian, algumas das 6 mil ilhas paradisíacas da Grécia nos mares Mediterrâneo, Jônico e Egeu foram colocadas à venda. O motivo seria uma tentativa desesperada do governo em pagar as dívidas do país.

O jornal afirma ainda que a ilha de Rhodes está entre as áreas postas à venda pelo governo grego, e que o dono do clube de futebol inglês Chelsea, Roman Abramovich, estaria entre os potenciais compradores. Assessores do empresário, no entanto, negaram seu interesse.
Das 6 mil ilhas gregas, apenas 227 são povoadas. Segundo o Guardian, o preço médio das ilhas seria de € 2 milhões.