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sábado, 6 de outubro de 2012

Steve Jobs planejava iPad há 30 anos, revela gravação



Uma fita cassete original e inédita com um discurso feito por Steve Jobs em 1983 revela que a Apple já estava pensando no iPad e na App Store há quase trinta anos.
O discurso, feito durante a Conferência Internacional de Design em Aspen, nos EUA, já havia sido documentado, mas a sessão de perguntas e respostas havia sido deixada de lado. Agora, o blogueiro de tecnologia Marcel Brown digitalizou o conteúdo para o mundo poder ouvir. 
“Estamos lançando muitos computadores aí no mercado que podem ser usados de modo separado, uma pessoa, um computador”, disse Jobs na época. “Mas não vai demorar muito antes de você ter uma comunidade de usuários que querem juntar todos eles. Porque, no final das contas, os computadores serão uma ferramenta para comunicação.”
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“A estratégia da Apple é muito simples”, continua o ex-CEO da Apple no evento. “O que queremos fazer é lançar um computador incrivelmente ótimo em um livro que você possa carregar com você e aprender a usar em 20 minutos. É isso que nós queremos fazer e queremos fazer nos próximos 10 anos. E realmente queremos fazê-lo com um link de rádio para que você não precise conectá-lo a nada e esteja em comunicação com todas essas bases de dados e outros computadores.”
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A ambição de Jobs criar um tablet nos anos 1980 demorou 27 anos para se concretizar já que o iPad foi lançado em 2010. Alternativamente, o executivo também poderia estar se referindo a um MacBook, mas, como notado peloThe Next Web, ele falava sobre computadores portáteis.
O cofundador da Apple também falou sobre uma ideia que eventualmente viraria a App Store. “Para onde nós vamos as coisas serão transmitidas eletronicamente pela linha do telefone. Assim quando você comprar um software...vamos enviar tons pelo telefone para transmitir diretamente de um computador para outro, é isso que vamos fazer.”
Outros destaques da gravação incluem a previsão de Jobs de que as pessoas em breve passariam mais tempo interagindo com seus computadores do que com carros, e seu comentário sobre reconhecimento por voz ser algo difícil de dominar. 
A gravação pode ser ouvida no blog de Marcel Brown.

sábado, 2 de junho de 2012

domingo, 16 de outubro de 2011

As coisas que todo mundo é muito educado para escrever sobre Steve Jobs



Nos dias após a morte de Steve Jobs, como é o costume, os seus amigos e colegas compartilharam suas melhores lembranças do co-fundador da Apple. Ele foi aclamado como “gênio” e “o maior CEO da geração”, por especialistas e jornalistas de tecnologia. Mas a reputação de um grande homem deve ser capaz de resistir à verdade completa. E, verdade seja dita, Jobs conseguia ser terrível com as pessoas, e o seu impacto no mundo não foi uniformemente positivo.
Nós já mencionamos muitas das coisas boas que Jobs fez durante a sua carreira. Suas conquistas foram amplas e impossíveis de resumir com facilidade. Mas pode-se enxergar o escopo do seu sucesso dessa forma: causar mudanças na sua indústria é o sonho de qualquer empreendedor, e Jobs transformou para sempre meia dúzia de indústrias diferentes, de computação pessoal a telefonia, passando por música, animação, videogames e pela indústria editorial. Ele era um sábio, um grande motivador, um juiz decisivo, um influenciador com visão de longo prazo, um excelente mestre de cerimônias e um estrategista brilhante.
Mas eis o que ele não era: perfeito. De fato, Steve fez coisas profundamente perturbadoras na Apple. Coisas rudes, desdenhosas, hostis, rancorosas: os empregados da Apple — aqueles que não estavam presos por contratos de confidencialidade — tinham uma história diferente para contar durante todos esses anos sobre Jobs e todo o medo, manipulação de bullying que o acompanhavam pela empresa. Jobs também contribuiu para problemas de nível global. O sucesso da Apple foi literalmente construído nas costas de trabalhadores chineses, incluindo crianças, todos eles aguentando turnos longos e a sombra de punições brutais por erros. E apesar de todo o papo sobre incentivar a expressão individual, Jobs impôs regras paranoicas que centralizaram o controle sobre quem poderia dizer o que em seus aparelhos e em sua empresa.
É particularmente importante sublinhar os defeitos de Jobs neste momento. O seu sucessor, Tim Cook, tem a oportunidade de mapear um novo caminho para a empresa, de estabelecer o seu estilo próprio de liderança. E, graças ao sucesso da Apple, os estudantes do estilo Steve Jobs de liderança nunca foram tão numerosos no Vale do Silício. Ele foi idolatrado e emulado muitas vezes enquanto vivo; em sua morte, Jobs se tornará um ícone ainda maior.
Depois de celebrar as conquistas dele, nós deveríamos falar livremente sobre o lado negro de Jobs e da empresa que ele ajudou a fundar. Este é o seu catálogo de piores momentos:

Censura e autoritarismo

A internet permitiu a pessoas do mundo todo se expressarem de maneira mais fácil e livre. Com a App Store, a Apple reverteu este processo. O iPhone e o iPad constituem a mais popular plataforma de computação portátil dos EUA, os mais importantes palcos de mídia e software. Mas você precisa da aprovação da Apple para colocar qualquer coisa nos aparelhos. E este é um poder que a empresa usa agressivamente.
Em nome de proteger as crianças dos malefícios do erotismo, e os adultos deles mesmos, Jobs baniu aplicativos de arte gay, guias de viagens gays, cartoons políticos, imagens sensuais, panfletos de candidatos políticos, caricaturas políticas, páginas duplas de revistas de moda e sistemas inventados pela concorrência, além de outras coisas consideradas moralmente questionáveis.
Os aparelhos da Apple nos conectaram a um mundo de informação, mas eles não permitem uma expressão completa de ideias. De fato, as pessoas que deveriam ser servidas pela Apple — “os desajeitados, os rebeldes, os encrenqueiros”, como disse o famoso comercial — foram particularmente excluídos pelas políticas de Jobs. O fato da empresa mais admirada dos Estados Unidos ter seguido um caminho tão contrário aos ideais de liberdade do país é profundamente preocupante.
Mas Jobs também nunca pareceu muito confortável com a ideia de empregados com todos os seus direitos e uma imprensa completamente livre. Dentro da Apple, há uma cultura de medo e controle ao redor das comunicações; a “Equipe Mundial de Lealdade” da Apple é especializada em caçar quem vaza informações, confiscando celulares e fazendo buscas em computadores alheios.
A Apple usa táticas coercivas também com a imprensa. A sua primeira reação a artigos que ela não gosta é geralmente de manipulação e importúnio. Depois, quem sabe ela solte estrategicamente um artigo contraditório.
Mas a Apple não se contenta com isso. Ela tem uma equipe jurídica que não se importa em aniquilar alvos pequenos. Em 2005, por exemplo, a empresa processouo blogueiro Nick Ciarelli, de 19 anos, por dar antes da hora a notícia — correta — da existência do Mac Mini. O caso não foi encerrado até que Ciarelli concordou em fechar o seu blog ThinkSecret para sempre. E nem vou explicar de novo toda a história com o Gizmodo americano e o protótipo do iPhone 4, que chegou ao ponto da Apple conseguir fazer com que a polícia invadisse a casa de um editor.
Há cerca de um mês tivemos talvez a mais assustadora amostra das tendências fascistas da Apple, quando dois agentes privados de segurança, trabalhando para a Maçã, revistaram a casa de um homem em San Francisco, à procura de um outro protótipo perdido de iPhone. Eles ameaçaram causar problemas com a imigração, e o homem disse que os agentes de segurança estavam acompanhados por policiais à paisana e não se identificaram como civis, dando a impressão de serem oficiais de polícia.

Fábricas exploradoras, trabalho infantil e direitos humanos

As fábricas da Apple na China regularmente empregam jovens adolescentes e pessoas abaixo da idade mínima de trabalho legal, que é de 16 anos. Elas submetem os empregados a muitas horas de trabalho e tentam acobertar tudo. Isso segundo um relatório da própria Apple, em 2010. Em 2011, a Apple relatou que o problema de trabalho infantil piorou.
Em 2010, o jornal Daily Mail conseguiu infiltrar um repórter dentro de uma fábrica chinesa que monta produtos para a Apple. Veja um trecho traduzido da reportagem:
Com o complexo funcionando em capacidade máxima de produção, 24 horas por dia, sete dias por semana, para atingir a demanda global pelos telefones e computadores da Apple, um dia típico começa com o hino chinês sendo tocado pelos alto-falantes, com as palavras ‘Levantem-se, levantem-se, levantem-se, milhões de corações com uma só mente’.
Como parte deste controle Orwelliano, o sistema de comunicados públicos grita anúncios o tempo inteiro, sobre quantos produtos foram feitos, sobre uma nova quadra de basquete construída para os empregados, sobre como os empregados devem ‘valorizar a eficiência a cada minuto, a cada segundo’.
Com outros slogans corporativos pintados nas paredes das oficinas — incluindo apelos como ‘alcance metas até que o sol não mais se levante’ e ‘reunamos toda a elite e a Foxconn será cada vez mais forte’ –, os empregados trabalham até 15 horas diárias.
Ao final de corredores estreitos, que lembram uma prisão, eles dormem em quartos lotados, em beliches triplas para economizar espaço. Os colchões são simples tapetes de bambu.
Apesar das temperaturas no verão chegarem a 35 graus, com 90% de humidade, não há ar condicionado. Alguns trabalhadores dizem que há dormitórios que abrigam mais de 40 pessoas e são infestados com formigas e baratas, e que é difícil dormir por causa do barulho e do fedor.
Uma empresa pode ser julgada pela forma como trata os seus mais humildes empregados. Serve como exemplo para o resto da empresa, ou, no caso da Apple, para o resto do mundo.

Em pessoa e em casa

Antes mesmo de ser afastado da empresa pela primeira vez, Jobs já tinha fama de agir como um tirano. Ele frequentemente diminuía pessoas, esbravejava contra elas e pressionava até que chegassem ao seu ponto de ebulição. Na busca pela excelência, ele deixava de lado a educação e a empatia. Seus abusos verbais nunca pararam. Ainda no mês passado a Fortune reportou uma “humilhação pública” de meia hora a que Jobs submeteu uma equipe da Apple:
“Alguém poderia me dizer o que o MobileMe deveria ser capaz de fazer?” Depois de receber uma resposta satisfatória, ele continuou: “Então por que caralhos ele não faz isso?”
“Vocês mancharam a reputação da Apple”, ele falou. “Vocês deveriam odiar uns aos outros por terem se decepcionado”.
Jobs demitiu o chefe da equipe ali mesmo.
Em seu livro The Second Coming of Steve Jobs, sobre a época de Jobs na NeXT e o seu subsequente retorno à Apple, Alan Deutschman descreveu o tratamento duro que Jobs dava aos seus subordinados:
Ele os elogiava e inspirava, às vezes de maneira muito criativa, mas também apelava para intimidação, provocação, repreensão e depreciação… Quando ele encarnava o Steve do Mal, não parecia se importar com os danos severos que causava a egos e emoções… súbita e inesperadamente, olhava para alguma coisa no qual eles estavam trabalhando e dizia que estava uma “merda”.
Jobs também tinha suas limitações pessoais. Não há registros públicos dele jamais ter feito doações para instituições de caridade, apesar do fato de ter ficado rico com o IPO da Apple em 1980 e ter acumulado um patrimônio líquido estimado em mais de 7 bilhões de dólares ao final da sua vida. Depois de encerrar os programas de filantropia da Apple em 1997, quando voltou à empresa, ele nunca mais os reinstaurou, apesar da empresa ter voltado a nadar em lucros.
É possível que Jobs tenha feito doações anônimas, ou que ele fará uma doação póstuma, mas o fato é que ele jamais abraçou ou encorajou a filantropia de forma parecida com, por exemplo, Bill Gates, que já arrecadou US$ 60 bilhões para caridade e se juntou a Warren Buffet para incentivar outros bilionários a doarem ainda mais.
“Ele claramente não tinha tempo”, foi o que disse o diretor da breve fundação de caridade de Jobs ao New York Times. E parece ser isso mesmo. Jobs não levava uma vida equilibrada. Ele era profissionalmente incansável. Trabalhava por longos períodos e permaneceu CEO da empresa até seis semanas antes da sua morte. Isso resultou em produtos incríveis, apreciados pelo mundo todo. Mas não significa que a sua rotina workaholic seja algo a se imitar.
Houve um tempo em que Jobs lutou contra a ideia de se tornar um homem de família. Ele teve uma filha chamada Lisa fora do casamento, aos 23 anos, e, segundo a Fortune, passou dois anos negando paternidade, chegando a declarar oficialmente que “não poderia ser o pai de Lisa, por ser ‘estéril e infértil’, não tendo, desta forma, capacidade física de procriar”. Jobs finalmente assumiu a paternidade, conheceu e casou com a sua atual viúva, Laurene Powell, e teve mais três filhos. Lisa estudou em Harvard e é hoje uma escritora.
Steve Jobs criou muitos objetos lindos. Ele tornou aparelhos digitais mais elegantes e fáceis de usar. Ele fez a Apple Inc. ganhar muito dinheiro depois que as pessoas já a consideravam morta. Ele sem dúvida servirá como modelo para muitas gerações de empreendedores e líderes de negócios. Se isso é uma coisa boa ou ruim, depende de quão honestamente a sua vida é avaliada.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

A democracia segundo Steve Jobs



“À medida que aumenta a complexidade da tecnologia, também cresce a demanda pela força básica da Apple de tornar compreensível para meros mortais recursos tecnológicos muito complexos.”
A declaração consta de uma entrevista concedida por Steve Jobs em 2003 ao jornal norte-americanoThe New York Times e resume por que a empresa criada por ele faz tanto sucesso: simplicidade.
A Apple democratizou o uso do computador e de uma série de engenhocas ligadas ao entretenimento ao facilitar a maneira de usá-los. Além disso, seus produtos funcionam bem, são práticos, bonitos e vendem como água, apesar de serem mais caros que os dos concorrentes.
O princípio da simplicidade de Steve Jobs e de sua incensada companhia deveria servir de exemplo para todo o mundo corporativo e para as repartições públicas.
Se foi possível inventar um aparelhinho com menos de 10 centímetros de altura que armazena mais de mil músicas e só possui um botão com três funções (ligar, desligar e pular as músicas), por que as nossas relações comerciais e com o Estado não podem ser simplificadas também?
Ora, direis: “Nem todas as empresas produzem tocadores de música, tampouco o Estado”. Certo, mas por que não fazer como Jobs, encurralar a complexidade para dentro do aparelho e deixar do lado de fora algo fácil de entender, sem que seja necessário ser um dos fanáticos clientes da Apple?
Minha mãe tem quase 90 anos de idade. Recebe uma pensão. Apesar de estar bastante lúcida e saudável para sua faixa etária, não conseguiria receber seu parco dinheirinho no começo do mês sem a ajuda dos filhos, tamanha a burocracia do governo brasileiro e a quantidade de senhas exigidas  pelo banco onde tem conta corrente.
Multiplique-se o problema para milhares de aposentados e calcule-se quanto todos perdem.
Jobs tinha suas idiossincrasias. Afinal, apesar de sua genialidade, era um mero mortal como as pessoas a quem se dedicava a descomplicar a tecnologia – e ganhava dinheiro com isso (qual o pecado?). Mas a forma como incentivava seus funcionários a criar, produzir, cumprir metas e prazos difere da empregada na maioria das empresas.
Quantos de nós, gestores, têm coragem de aceitar discutir opiniões divergentes das nossas, de assumir nossos fracassos e compartilhar, de verdade, nosso sucesso com a equipe que nos ajudou a conquistá-lo?
Quantos de nós aplicam princípios democráticos no dia a dia das organizações? Não precisamos tutelar nossos subordinados, mas dar-lhes liberdade de trabalho e condições adequadas para exercê-lo. Provavelmente, não será necessário cobrar resultados, pois eles aparecerão de forma mais natural.

domingo, 9 de outubro de 2011

Home Office de Steve Jobs em 2004

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A evolução de Steve Jobs na Apple


NEW YORKER


Como aparentemente todo o planeta sabe, a qualidade mais sobressalente de Steve Jobs foi seu perfeccionismo desmedido. O desenvolvimento do Macintosh, por exemplo, levou mais de três anos porque Jobs controlava até os mínimos detalhes. Ele rejeitou a ideia de um ventilador interno embutido no Mac porque achava o mecanismo ruidoso e desajeitado. E ele obrigou seus engenheiros a redesenharem a placa-mãe várias vezes, apenas porque versões anteriores lhe pareciam deselegantes.
Na NeXT — a companhia que criou logo que foi afastado da Apple, em 1985 –, Jobs levou sua equipe de hardware à loucura até que produzissem um computador que era um cubo de magnésio perfeito. Em sua volta triunfante à Apple, em 1997, Jobs se empenhava pessoalmente em detalhes de cada produto, como quantos parafusos havia na superfície de cada embalagem de seus laptops.
Levou seis meses até que ele estivesse satisfeito com a maneira como as barras de rolagem no OS X funcionavam. O executivo-chefe da Apple acreditava que, para um objeto ressoar com os consumidores, cada pedaço tinha que estar perfeito, até mesmo aqueles que o consumidor não podia ver.
Este perfeccionismo obviamente tinha muito a ver com o sucesso da Apple. Isso explica porque os produtos da Apple tipicamente passam uma sensação de integridade, no sentido original da palavra, pois eles parecem uma coisa só, ao invés de uma simples coleção de suas partes.
Mas o perfeccionismo de Jobs teve um preço, também. Ele podia literalmente gastar fortunas: na década de 80, Jobs insistiu que, em anúncios de revistas e nas embalagens dos produtos, o logotipo da Apple fosse impresso em seis cores, e não quatro, exigência que tornou o processo 30 a 40% mais caro.
Controle acima de tudo
A empresa também teve custos ainda mais significativos por causa da visão de Jobs de que a Apple tinha que controlar cada parte da experiência do usuário e fabricar tudo dentro da empresa. Seu hardware era exclusivo: a companhia tem sua própria fábrica  para o Mac e utiliza cabos de alimentação, discos e entradas diferencidas em vez de dispositivos padrão. Seu software também tem características únicas:  o usuário que quiser executar o software da Apple precisa de um computador Apple. Isso fez com que os computadores da empresa ficassem mais caros que os modelos da concorrência.
Assim, enquanto a Apple mudou o mundo da computação na década de 80, com máquinas que eram mais intuitivas e poderosas do que o seu típico clone da IBM, a maioria dos usuários nunca tocou em um Macintosh. Eles acabaram comprando PCs.Quando Jobs voltou para a Apple, ele ainda queria que a empresa, como ele costumava dizer, detivesse e controlasse a tecnologia primária de tudo que faziam.
Afrouxando as rédeas
Mas a sua obsessão com o controle foi diminuindo. Jobs era especialista em negociar com as pessoas e isso foi crucial para o sucesso extraordinário da Apple nos últimos dez anos. Veja o iPod, por exemplo. O velho Jobs poderia muito bem ter insistido que o iPod só tocasse músicas codificadas em formato digital da Apple, e isso teria permitido que a Apple controlasse toda a experiência do usuário, mas também teria limitado o mercado do iPod, já que milhões de pessoas já tinham MP3s. Então a Apple fez o iPod compatível com o MP3 (A Sony, ao contrário, fez seu primeiro tocador de música digital compatível apenas com arquivos no formato da Sony, e eles tiveram péssimos resultados).
Da mesma forma, Jobs poderia ter insistido, como ele fazia antigamente, que os iPods e iTunes só funcionassem em Macs. Mas isso teria alienado a empresa da grande maioria dos usuários de computador. Assim, em 2002 a Apple lançou um iPod compatível com o Windows, e as vendas dispararam logo em seguida. E, enquanto os projetos da Apple continuam distintos como sempre, os dispositivos de agora dependem menos de hardware próprio e mais em tecnologias padronizadas.
O iPhone também sinalizou um afrouxamento das rédeas de Jobs. Embora a Apple fabrique  o smartphone e o próprio sistema operacional, e apesar de todos os aplicativos serem vendidos exclusivamente através da App Store, o sistema é muito mais aberto do que o Mac sempre foi. Há mais de 400 mil aplicativos para o iPhone escritos por desenvolvedores fora da empresa. Alguns são até projetado por concorrentes.
O velho Jobs poderia muito bem ter tentado, no interesse da qualidade, conter o número de aplicativos: ele sempre falou sobre como dizer não às ideias era tão importante quanto dizer sim. Mas o novo Jobs, essencialmente, disse: “deixem que mil flores comecem a florescer”.
Não há dúvida de que o sucesso da Apple na década passada dependeu da estranha habilidade de Jobs para introduzir produtos que capturavam o zeitgeist do momento. Mas o que transformou a Apple na empresa mais valiosa do planeta foi que Jobs fez mais do que apenas criar dispositivos novos e legais. Ao contrário, ele presidiu a criação de ecossistemas novos no mercado, com os dispositivos da Apple muito bem inseridos neles. E se os ecossistemas se tornaram mais caóticos do que Jobs teria gostado, eles também ficaram mais potentes e rentáveis.
É verdade que, pelos padrões do mundo de hoje de computação open-source, as plataformas da Apple são ainda muito fechadas. Afinal, quando o Google desenvolveu um sistema operacional para o smartphone, o Android, ela simplesmente o entregou aos fabricantes de smartphones para que o usassem como bem entendessem. Mas, julgando pela rigidez de seu ethos tradicional, a Apple é muito mais aberta hoje do que  jamais teríamos imaginado. Ao ceder um pouco do controle, Jobs descobriu um poder muito maior.

Aqui estão os malucos, os revolucionários e os pirados que vão mudar o mundo.

Por que o Steve Jobs e a Apple são tão adorados?
Porque o cara sempre foi autêntico, sempre falou o que pensa, nunca pensou no que os outros iriam dizer a seu respeito, nunca nunca nunca. 
Ele dava porrada nos seus funcionários no 1-a-1, e distribuia porrada no 1-para-muitos através das muitas campanhas de marketing que a Apple lançou. 
Uma das mais famosas campanhas de marketing da Apple de todos os tempos foi a THINK DIFFERENT. Lançada em 1997, a campanha fala sobre QUEM DEVE COMPRAR os produtos Apple. 
O comercial de televisão que foi ao ar em 1997 foi narrado por Richard Dreyfuss.
Recentemente, uma versão alternativa que nunca foi ao ar com a voz do Steve Jobs vazou na web. 
Confere:
Confira o texto do comercial:
Here’s to the crazy ones. The misfits. The rebels. The troublemakers. The round pegs in the square holes. The ones who see things differently. They’re not fond of rules. And they have no respect for the status quo. You can quote them, disagree with them, glorify or vilify them. About the only thing you can’t do is ignore them. Because they change things. They push the human race forward. And while some may see them as the crazy ones, we see genius. Because the people who are crazy enough to think they can change the world, are the ones who do.