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quinta-feira, 28 de março de 2013

Brasileiro quer sair do vermelho em 2013


Por: Karin Sato e Sérgio Tauhata  em Valor Econômico
Vera Rita, doutora em psicologia econômica: “As pessoas têm dificuldade de adiar o que gratifica seus impulsos”
A consultora de Tecnologia da Informação Regina Okamoto, 51 anos, tomou sozinha um financiamento imobiliário em 2009 pelo prazo mais longo possível, de 30 anos. O que ela não imaginava é que o orçamento da família ficaria “tão apertado”, explica. Em pouco tempo, Regina contraiu duas novas dívidas, de R$ 8 mil em um banco e de R$ 3 mil em outro. Para pagá-las, por sua vez, teve de tomar um empréstimo consignado e cortar gastos com viagens e programas de lazer.
Nos últimos anos, o que se viu foi uma corrida por crédito patrocinada pelo próprio governo, que tem tentado estimular o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) via consumo, em detrimento da poupança. Um dos instrumentos utilizados para tal foram os bancos públicos. Quem não viu a apresentadora Regina Casé em propagandas da Caixa Econômica Federal mostrando como os juros mais baixos têm ajudado os clientes do banco? Porém, essa estratégia já mostrou em 2012 sinais claros de desgaste e casos como o de Regina Okamoto surgem em todo o país, de maneira que organizar as contas e sair do vermelho é uma promessa para 2013 de muitos brasileiros.
Regina e sua família fizeram a lição de casa. Sua filha de 17 anos transferiu-se de uma escola particular para uma pública, deixou a escola de balé e cancelou um curso de idiomas, o que ajudou a família. “Fiz o correto de comprar o imóvel, mas não calculei todos os gastos. Tenho uma despesa mensal fixa de R$ 4,5 mil, sem considerar R$ 1,7 mil da prestação do financiamento imobiliário”, explica. A consultora de TI lembra que seu filho de 21 anos faz faculdade no interior, o que resulta em custos adicionais de moradia e alimentação.
Para especialistas em finanças, a dificuldade dos brasileiros em lidar com o crédito é fruto dos anos de inflação e do baixo acesso a produtos financeiros. Além disso, em termos culturais, trata-se de um povo pouco previdente.
Para 2013, o Banco Central projeta um avanço de 14% no estoque de operações de crédito. Isso significa que as pessoas devem seguir tomando empréstimos. Porém, antes de contrair uma dívida, é essencial que o consumidor pese as consequências, para evitar os erros cometidos nos anos anteriores. “As pessoas não estavam preparadas para o nível de oferta de crédito visto nos últimos anos. Além disso, o consumo da nova classe média foi favorecido também pelo câmbio, que estimulou a entrada de importados”, explica Paulo Bittencourt, diretor-técnico da Apogeo Investimentos.
As finanças comportamentais também explicam essa dificuldade em lidar com empréstimos. Vera Rita de Mello Ferreira, doutora em psicologia econômica e autora dos primeiros livros sobre o assunto publicados no Brasil, afirma que as pessoas têm dificuldade de adiar aquilo que gratifica seus impulsos. “Elas estão sempre em busca de um alívio para a sensação de que falta algo, embora não saibam o que é, e ainda caem na cilada de somente analisar o valor e o número de parcelas, deixando os juros de lado”, afirma.
O endividamento das famílias em relação à renda acumulada dos últimos 12 meses cresce continuamente. Em dezembro de 2009, era de 35,41%; em dezembro de 2010, 39,16%; e em igual mês de 2011, 42,23%, segundo dados do BC. Já o último resultado, referente a setembro deste ano, apontava para 44,39%.
Sem considerar o crédito habitacional, o endividamento no último mês de 2009 era de 28,84%, em dezembro de 2010, de 30,39%, e no último mês de 2011, de 30,92%. Em setembro último, por sua vez, esse percentual era de 31,01%. Além disso, nos últimos nove anos, o consumo das famílias cresceu em torno de 5% ao ano.
O economista Eduardo Giannetti, autor de “O Valor do Amanhã”, durante uma palestra na cerimônia de entrega do Prêmio Itaú Finanças Sustentáveis, provocou o público presente ao fazer algumas perguntas: “O que seria mais fácil do que poupar um dinheiro que você ainda não ganhou?” e “O que é mais provável do que o acontecimento de fatos improváveis?”.
“As pessoas estão tendo acesso a itens que nunca tiveram e estão consumindo muito”, afirmou Giannetti. “A nova classe média está deslumbrada com as possibilidades de consumo, mas precisa se dar conta de que a vida não é apenas o crediário. Com os juros mais baixos [o que implica rendimento menor dos investimentos em renda fixa], é preciso notar a importância de começar a poupar mais cedo para se sustentar na aposentadoria.”
O crédito às pessoas físicas com recursos livres correspondia a 16,2% do PIB em setembro, percentual ainda baixo na comparação com países desenvolvidos e que não representa um risco à economia do país. Isso não significa, porém, que não exista um risco para os indivíduos. A profissional de relações públicas M.G., que preferiu não se identificar, relata que seus problemas financeiros começaram depois que adquiriu um imóvel.
“O custo de vida em Manaus é alto. Ficamos sem recursos naquela época e caímos no cheque especial. Ao cair no cheque especial, a situação se tornou desesperadora”, diz. “Apesar dos sacrifícios que fizemos pelo imóvel, tivemos de vendê-lo para pagar as dívidas. Chegamos ao ponto de passar seis meses sem pagar o condomínio e fiquei devendo para a escola do meu filho. Todo o dinheiro que entrava, a dívida no cheque especial comia.”
M.G. diz que a experiência levou a uma mudança na forma de enxergar o consumo. “Não compro mais por impulso. Não adianta estar com a melhor bolsa ou o sapato mais bonito. No final das contas, ter dinheiro, mesmo que seja uma pequena reserva, faz muita diferença”, diz.
Há outro risco, o da aposentadoria da população. Segundo Giannetti, o futuro do país está nas mãos da nova classe média. Isso porque o número de nascimento está em declínio, enquanto a expectativa de vida aumenta. “A nossa pirâmide etária está virando um cogumelo. Hoje ainda há muitas pessoas no ápice da produção, aptas a gerar renda, porém isso está se invertendo”, afirma, ao explicar que desse fato advém a necessidade de a classe média abandonar o período de fascinação por itens de consumo antes inacessíveis, em benefício da poupança futura. “Se não capitalizarmos o Brasil, não conseguiremos gerar um nível mínimo de conforto futuramente”, afirmou.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

FAMÍLIAS MAIS ENDIVIDADAS



 
O percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso ficou em 23% em abril, o maior patamar desde setembro do ano passado (24,3%). Em fevereiro, tinha sido 21,8%. Já na comparação com o mesmo período de 2011, houve leve queda. 

Os dados integram pesquisa divulgada ontem pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). "As famílias com dívidas em atraso vem crescendo apesar de haver um queda no total de endividados, o que mostra que as pessoas estão com dívidas altas", afirma a economista da CNC Marianne Hanson.

 A pesquisa confirma que isso vem ocorrendo. A parcela de famílias que relatou possuir dívidas (não necessariamente em atraso) recuou em abril, alcançando 56,8%, ante 57,8% em março e 62,6% no mesmo mês do ano anterior. O levantamento considera débitos de cheque pré-datado, cartão de crédito, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguros. 

O percentual de famílias que declarou não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso apresentou ligeiro aumento entre os meses de abril e março. 

Neste mês, 6,9% das famílias declarou não ter condições de pagar seus débitos, ante 6,7% em março e 7,8% em abril de 2011. 

Entre as famílias com contas ou dívidas em atraso, o tempo médio de atraso foi de 59,6 dias em abril, superior aos 58,8 dias do mesmo mês do ano passado. 

O cartão de crédito – rotativo ou compra parcelada – foi apontado como um dos principais tipos de dívida por 73,7% das famílias endividadas, seguido por carnês, para 19,1% e, em terceiro, o crédito pessoal, para 12,4%. 

A pesquisa foi realizada em todas as capitais dos estados e no Distrito Federal, com 18 mil consumidores.

Fonte: Diário do Comercio

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Quase 37% dos brasileiros não têm condições de pagar suas dívidas



Quase 37% da população brasileira (36,6%) não tem condições de pagar suas dívidas, conforme mostram os dados do IEF (Índice de Expectativa das Famílias), divulgado nesta quinta-feira (5) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

Os dados mostraram que apenas 13,2% dos entrevistados acreditam que terão condições de honrar os compromissos, enquanto 47,8% responderam, em dezembro, que conseguiriam quitar parcialmente as contas.
A dívida média das famílias brasileiras em dezembro foi de R$ 4.679,13, a quinta maior média mensal em 2011. O patamar mais alto foi atingido em fevereiro do ano passado (R$ 5.605,25).
Das famílias consultadas, 56,1% afirmaram não ter dívidas. Na região Centro-Oeste, nenhuma família afirmou estar muito endividada e 90,9% das famílias declararam não ter dívida alguma. 
A situação é bem diferente na região Nordeste, onde 14,6% das famílias disseram estar muito endividadas.

Menos dívida no Centro-Oeste

Entre as regiões do Brasil, no Centro-Oeste é onde está o maior índice de expectativa quanto à capacidade de pagamento de contas em atraso. Por lá, 37,5% das famílias acreditam que vão conseguir pagar todas as suas contas em atraso. No Sudeste a taxa é a segunda maior do Brasil, de 23%: 
Expectativa sobre a capacidade de pagamento de contas atrasadas (%)
RegiãoVai pagar totalmenteVai pagar em partesNão terá condições de pagar
Centro-Oeste37,52537,5
Nordeste8,454,435,2
Norte2,237,060,9
Sudeste2333,339,3
Sul16,463,918
Fonte: Ipea - IEF

Novas dívidas

O estudo também mostrou que 6,8% das famílias entrevistadas planejavam tomar empréstimos ou financiamento para adquirir algum bem nos próximos três meses. Em relação às regiões do Brasil, no Nordeste é onde há mais pessoas interessadas em empréstimos para aquisição de bens (11,1%).
No Centro-Oeste a taxa também é alta, de 6,8%, a mesma encontrada no Sudeste. Na sequência, vêm Sul e Norte, com taxas de 5,2% e 2,7%, nesta ordem.

Situação financeira melhor

Segundo a pesquisa, 78,2% das famílias disseram estar melhor financeiramente em dezembro de 2011 do que um ano antes. O otimismo é maior na região Centro-Oeste (88,1%), seguido pelo Norte (80,7%), Sudeste (80,4%), Nordeste (74,8%) e Sul (72,3%).

A pesquisa 

O Índice de Expectativa das Famílias (IEF) é resultado de uma pesquisa mensal do Ipea, feita em 3.810 domicílios, em mais de 200 municípios brasileiros. A pesquisa realizada em dezembro de 2010 foi a 17ª edição.
(Com informações do Infomoney)

terça-feira, 20 de julho de 2010

Brasileiro gasta parcela maior da renda em prestações

O comprometimento da renda das famílias brasileiras com o pagamento de dívidas, tanto de parcelas do crediário de lojas como de financiamentos com bancos, é crescente nos últimos meses, apontam pesquisas com consumidores e estudos de consultorias privadas. E, mesmo com uma parcela maior da renda empenhada com prestações, o consumidor não desiste de assumir novos empréstimos. É que as perspectivas favoráveis para o crescimento do emprego e da renda e, especialmente, os prazos longos de pagamento dos financiamentos dão tranquilidade para ele "encaixar" mais prestações no orçamento familiar.


Um estudo da Tendências Consultoria Integrada com base nos dados do crédito para pessoas físicas acompanhado pelo Banco Central (BC), exceto financiamentos imobiliários, e os rendimentos do trabalho e da Previdência, apurados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que, em maio, o comprometimento da renda mensal com prestações atingiu 26,3% e aumentou 0,5 ponto porcentual em relação ao mesmo mês de 2009.

Em março, o comprometimento correspondia a 25% da renda. Em abril, foi para 25,9%. "Nos nossos cálculos, esse indicador deve atingir 28% em dezembro deste ano", prevê Alexandre Andrade, economista da consultoria. Se a estimativa se confirmar, será o maior nível de empenho da renda com prestações já alcançado desde o início da série, em janeiro de 2003. O recorde anterior foi batido em novembro de 2008, quando o indicador chegou a 27,1%.

"Uns falam que o limite de comprometimento da renda mensal com prestações de lojas e bancos é 25% e outros 30%", observa o economista da Associação Comercial de São Paulo(ACSP) Emílio Alfieri. Andrade, da Tendências, diz que 30% de limite do empenho da renda mensal com dívidas é padrão de outros países. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo . 

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Porque os brasileiros se endividam?



Comprar a crédito sempre foi uma forma do brasileiro conquistar aquele bem muitas vezes inacessível. O apelo do crédito nos últimos anos se multiplicou e alavancou a economia brasileira. Mas quase 70% de brasileiros não conseguem fechar as contas do mês.  Veja em detalhes no artigo originalmente publicado na revista Exame. Brasileiros endividados. A necessidade de controlar a inflação pode vir a agravar o problema.