quinta-feira, 6 de maio de 2010

O Futuro da Internet

 Se somarmos o conteúdo gerado diariamente por sites, blogs, tuites, etc, veremos muito mais escrita sendo criada hoje que há dez anos. Apenas está em forma diferente.

 Acabei de ler atentamente o último relatório “The Future of the Internet”, publicado pela Pew Internet, que aponta algumas das tendências para a Internet para os próximos dez anos. Selecionei alguns tópicos que me chamaram atenção. 

Um deles debate o questionamento do polêmico Nicholas Carr onde ele pergunta “Is Google Making us Stupid?” e responde afirmativamente. Sua argumentação é baseada na observação de que as facilidades de pesquisar na Internet (via Google e outros) faz com que as pessoas não se concentrem, navegando e pulando superficialmente de site para site. Não concordo com ele.

Na minha opinião quando tinhamos pouca informação disponível (apenas poucos livros e artigos impressos), nos aprofundávamos nessas leituras, até por falta de opção. Hoje a oferta de informações sobre qualquer tema é estonteante (e sempre crescente) e o que fazemos é navegar por este oceano de informações, selecionando onde queremos nos aprofundar. Para mim estamos adotando, de forma complementar, dois processos mentais, a navegação superficial para obtermos um overview do que existe e um mergulho mais fundo, quando identificamos as fontes que nos interessam. Usando o Google podemos nos concentrar em coisas mais importantes e sermos mais criativos, deixando para ele a função de buscar detalhes que antes precisávamos decorar.

Além disso, o Google e outros motores de busca nos dão oportunidade de buscar qualquer informação que desejemos, estejamos vivendo nos EUA, no Brasil ou no Cazaquistão. Basta ter acesso à Internet. Na prática ele quebra a hegemonia de domínio de conhecimento, permitindo que qualquer pessoa possa ter, em potencial, acesso à qualquer informação.

Talvez já estejamos vivendo uma época onde o alfabetizado será aquele que sabe ler, escrever, contar e pesquisar na Web. Estamos mudando o conceito de inteligência. Meus avós tinham que fazer contas de cabeça, pois não tinham calculadoras à disposição. E hoje, pelo fato de não precisarmos mais fazer contas de cabeça, será que somos menos inteligentes que eles? Ou a tecnologia não estará mudando nossa maneira de usarnos nossos cérebros?

Segue um exemplo de como a Internet pode ser útil. Lendo o relatório da Pew, pesquisei na Internet pelo artigo do Carr bem como vários artigos, favoráveis e contrários a ele. De posse dessas informações, cheguei às minhas conclusões. Tudo em poucas horas.

Outro ponto debatido no relatório foi o impacto da Internet na linguagem. A Internet está melhorando ou piorando nosso uso da linguagem? Na minha opinião, está transformando a linguagem. Aliás, a linguagem escrita e falada está sempre em mutação. Basta ver os textos originais do português da época dos descobrimentos e compará-los com o que falamos e escrevemos hoje.

É uma outra língua! Na minha opinião estamos indo para uma linguagem mais concisa e visual e, para isso, basta ver o que usamos no Twitter e nos e-mails. Mudanças na maneira de nos comunicarmos sempre existiram.
A própria escrita acabou com a dependência dos antigos na história oral (Platão era contra a escrita, pois, segundo ele, diminuía a capacidade de memorização) e a fotografia mudou a visão que tinhamos da arte visual. A Internet está apenas cumprindo mais um ciclo de mudanças, mas o que incomoda muitos é que a velocidade desta mudança é muito acelerada. Há meros dez anos não existia Google, Facebook, YouTube, Wikipedia e Twitter.

A geração digital está exposta hoje a um volume de informações inimaginável para a geração imediatamente anterior. E além do mais, gera conteúdo e não apenas o consome. Basta ver que a maioria dos sites mais populares tem seus conteúdos gerados por nós mesmos, como Facebook, Twitter, YouTube e Wikipedia. Ora, na prática, se somarmos o conteúdo gerado diariamente por sites, blogs, tuites, etc, veremos muito mais escrita sendo criada hoje que há dez anos. Apenas está em forma diferente.
 
O terceiro ponto que me chamou atenção foi o debate sobre a precisão dos próprios debates sobre o futuro da Internet. Será possível mesmo prever este futuro? Há dez anos ninguém previu um Twitter. Em 1995 podiamos pensar em um Facebook ou num iPhone? Como há dez anos os tops sites de hoje não existiam, quais serão os tops sites daqui a dez anos? Se alguém souber a resposta, vai criá-los hoje mesmo e não esperar dez anos.

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