quarta-feira, 23 de junho de 2010

O papel de TI nas empresas



Qual é o papel da Tecnologia da Informação em uma empresa? 


Uma reflexão sobre esta questão pode parecer algo trivial e básico, não merecendo muita atenção, já que a resposta a esta pergunta é, invariavelmente, centrada no reconhecimento de que TI é uma atividade chave, que deve ajudar a construir vantagem competitiva para o negócio. 


Mais especificamente, na maioria dos casos, a contribuição de TI para uma empresa é caracterizada por três vertentes principais: (a) melhorar o desempenho do negócio; (b) operar processos de negócio eficazmente; e (c) criar vantagem competitiva.


Acredito que as duas primeiras vertentes sejam pragmaticamente inquestionáveis, uma vez que estão voltadas ao aumento de eficácia e eficiência – atividades mandatórias em um mundo de crescente busca por competitividade. A terceira, porém, voltada à criação de vantagem competitiva, não me parece um objetivo tão natural e óbvio para TI. 


Isto porque consigo imaginar casos em que este papel não faça sentido. Por exemplo: o papel da Tecnologia da Informação na criação de vantagem competitiva em um hospital, é muito diferente daquele em uma empresa de varejo (ex. Carrefour, CBD), que por sua vez é totalmente distinto daquele em uma empresa de tecnologia (ex. Google, Microsoft), que por sua vez é bastante distinto de uma Empresa de concessão de crédito, ou de uma empresa de avaliação de riscos, ou ainda uma Empresa recuperadora de crédito atrasados. 


Acredito ainda,  que o papel de TI deva também levar em conta o estágio de evolução da empresa e sua estratégia. 


Empresas, por exemplo, em estágio de crescimento acelerado através de aquisições, requerem uma TI ágil, com alta capacidade de integração. Por outro lado, as áreas de TI em empresas maduras, com processos estabelecidos e estáveis, têm função e missão muito distinta e, de maneira geral, muito dependente do tipo de indústria em que a empresa atua. 


Em resumo, o papel de TI depende da indústria, do estágio de evolução da empresa e de sua estratégia – fatores que dificilmente podem ser generalizados.


A relevância desta discussão, sob o meu ponto de vista, é clara. A visão cristalina das principais missões de TI é um pré-requisito para a definição da estrutura de TI, tanto em termos de qualidade de recursos quanto em termos de suas habilidades. Uma empresa, por exemplo, com uma arquitetura de aplicativos estável, crescendo agressivamente por aquisições, demanda recursos com habilidade em integração e muito provavelmente estes recursos serão internos.


Já uma empresa que está crescendo por aquisições, mas com uma arquitetura de aplicativos ainda em evolução, deverá depender mais de terceiros do que de recursos internos, mas demandará uma grande habilidade na gestão de terceiros. 


Além disso, o equilíbrio entre uma visão top-down e bottom-up para o plano de TI, também depende de uma clara visão das missões de TI, já que a visão bottom-up é, de forma geral, mais de curto prazo, e não necessariamente reflete as necessidades estratégicas de mais longo prazo.


Entendo que os exemplos acima sejam, de certa forma, simplistas, até mesmo pela necessidade de brevidade. Todavia, acredito que sejam suficientes para que fique claro que o papel de TI não seja, necessariamente, o de criar vantagem competitiva, mas sim de ser estratégico para o negócio. 


Uma vez que “ser estratégico” depende do negócio per se e do seu estágio de evolução, o papel de TI não pode e nem deve ser generalizado, requerendo revisão periódica, uma vez que estratégias são temporais


Esta relação íntima entre estratégia e TI é o grande segredo das áreas de TI bem sucedidas por sua contribuição efetiva ao negócio.



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