sábado, 21 de agosto de 2010

Kawasaki: em redes sociais, empresas não podem esperar para ver

Na rede social de 2010, tal como ocorreu com a internet em 1995, adotar uma postura de “esperar para ver” não é a melhor estratégia. Em sua palestra no Digital Age 2.0, nesta quarta-feira (18/8), e que foi transmitida via videoconferência, o escritor e investidor Guy Kawasaki ressaltou, com base num exemplo do Twitter, como empresas podem tirar proveito das novas possibilidades de interação digital.

Em sua introdução, Kawasaki lembrou os tempos em que era funcionário da Apple – na década de 1980, seu papel era o de evangelista de marketing para a então estreante plataforma Macintosh. “Éramos os que gastávamos o dinheiro ganho com o Apple II”, rememora. Desde então, ele se tornou empresário de startups e, mais recentemente, investidor de risco.
Em seu olhar sobre a Internet, é como se um profissional de marketing de 1995 tivesse feito uma viagem no tempo, sem escalas, a 2010. “Se você olha para tudo que há hoje em mídia social, é como estar na Disneylândia. Há tantas coisas a fazer”, considera. “Eu, por exemplo, vejo o Twitter como uma plataforma de marketing melhor que a TV.”


Abordagem tática

Kawasaki é bastante tático na forma como usa o microblog. “A primeira coisa que se pode fazer com o Twitter é descobrir o que andam falando de você. Com a busca do Twitter, eu posso conhecer o sentimento que meus clientes, meus potenciais clientes e meus concorrentes têm manifestado”, conta.
O investidor - que também é dono de uma startup de Internet, o agregador de notícias AllTop – explicou como faz buscas no Twitter para selecionar apenas mensagens enviadas de ou para determinada conta, filtrando os resultados por meio de uma palavra-chave. “Antes das redes sociais, isso seria considerado espionagem”, considera.



Como consumidor, Kawasaki descreveu sua experiência com a empresa aérea Virgin America. “Reclamei da comida no Twitter, dentro do avião (que têm Wi-Fi) e, assim que desembarquei, já obtive resposta da empresa. Não sei como é no Brasil, mas nos EUA se você menciona uma empresa (no Twitter) e diz que teve problemas com ela, ela lhe procurará.”
O autor de livros de negócio citou também o caso de uma pequena empresa – a Kogi BB – que vende churrasco coreano na rua, circulando com um furgão pelos arredores de Los Angeles (EUA). Apesar de ser um negócio restrito a uma localidade geográfica, a conta da Kogi no Twitter tem mais de 70 mil seguidores.
“Que opções eles teriam? Anunciar no rádio? Que rádio? Jazz, pop, notícias? Anunciar no 'Los Angeles Times'? Essas 70 mil pessoas decidiram voluntariamente seguir a conta só para saber onde estara o furgao de churrasco sem spot de rádio, sem anúncio em jornal, sem banners”, aponta.
Em outra demonstração, Kawasaki explorou as possibilidades da busca de sites como o Google, que permitem o refinamento dos critérios de seleção. Imaginando-se dono de uma loja de equipamentos fotográficos, ele usou as opções “intext” e “site” para descobrir, por exemplo, usuários do Twitter que tẽm ligação com fotografia – e explicitaram isso na biografia que criaram no microblog.
“Não digo que tais experiências sempre terão um retorno financeiro. Mas valem a pena”, avalia.

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