Contratar uma cloud customizada para cada tipo de vertical é a tendência que começa a ser desenhada. A ideia é tornar a nuvem cada vez mais alinhada às estratégias de negócios.
Já ouvimos falar de nuvens privadas, híbridas e turnkey. Agora, prepare-se para as voltadas a setores específicos. A ideia é fornecer tecnologia, processos de negócios e serviços exclusivamente adaptados às necessidades de uma vertical em particular. Já existem ofertas de nuvem para companhias aéreas e instituições financeiras. Analistas esperam o surgimento de outras opções no cardápio do mercado.
Enquanto a nuvem pode ser atraente por algumas razões, entre as quais redução de custos e maior agilidade, o valor desse serviço torna-se ainda mais atraente quando os provedores envolvem a expertise vertical e a propriedade intelectual em torno das ofertas, dizem especialistas. O momento é de crescimento para a implementação de nuvens verticais específicas porque seus recursos são projetados para comunidades que partilham interesses especiais.
Uma nuvem para uma indústria específica pode ser avaliada como uma cloud privada e híbrida. É privada “porque você tem de ser autorizado pela comunidade, mas é também híbrida, pois cada um dos membros pode usar a nuvem para acessar recursos públicos, com segurança adequada”, diz o CEO da consultoria AgilePath, Eric Marks. “Tudo o que eu estou vendo sugere que são tendências e há alguma lógica por trás disso.”
“Há uma série de soluções e plataformas que estão surgindo no nível específico de setores”, concorda o vice-presidente da empresa de pesquisa Saugatuck Technology, Charlie Burns. “O que vocês verão é uma gama de empresas tradicionais alavancando infraestuturas de cloud desenvolvidas para mercados específicos.” Essas empresas vão-se tornar usuárias e provedoras de nuvens específicas da indústria, ele sugere.
A Saugatuck antecipa uma explosão de ofertas de negócios para a vertical, orientadas para nuvem, não só de fornecedores tradicionais, como Accenture, IBM e provedores indianos “mas também de empresas tradicionais que estão chegando ao mercado com o processo de negócios como serviço (BPaaS) com soluções próprias”, acrescenta Bill McNee, fundador e CEO da Saugatuck.
As nuvens específicas para a indústria, ele afirma, são “o futuro. É a nova maneira de fazer as coisas”. A Saugatuck projeta que, até o final deste ano, pelo menos 75% das organizações usarão uma ou mais funções em nuvem – SaaS, infraestrutura de cloud e serviços de negócios, entre outros – para apoiar as operações diárias de seus negócios. Mas a Saugatuck ainda não tem uma projeção do percentual de clientes que usarão nuvens específicas para a indústria.
Voando para a nuvem
Voando para a nuvem
Como uma das indústrias mais focadas na logística, o setor de transporte aéreo tem apostado em processos e modelos que podem ser compartilhados na nuvem. Afinal, as principais companhias aéreas voam para os mesmos aeroportos em todo o mundo. A Sita, o braço de TI da indústria de transporte aéreo, uniu forças com a empresa de telecomunicações Orange Business Services. Recentemente, os dois anunciaram planos para construir uma infraestrutura em nuvem global, de alto desempenho para atender às necessidades de seu respectivo mercado.
Em outras palavras, eles são parceiros na construção da infraestrutura, mas cada um vai vender o produto em seus respectivos mercados. A Orange Business Services é uma empresa do ramo de serviços da France Telecom, e vai oferecer nuvem para empresas globais. No caso da Sita, significa acabar com uma gama de redundâncias em TI no transporte aéreo.
Cada companhia aérea tem sua própria rede e, provavelmente, cem ou 200 servidores que “fazem praticamente as mesmas coisas”, observa o vice-presidente da Sita, em Genebra, na Suíça, Greg Ouillon. Algumas das funções que todas as companhias aéreas oferecem incluem centros de atendimento para reservas, asssim como check-in, embarque, segurança e agendamento de aeronaves.
“Nós sentimos que era um movimento natural adicionar capacidade de computação que permitirá que nossos clientes compartilhem ainda mais a infraestrutura de TI, reduzindo os custos e ganhando benefícios nos níveis de serviços.”
A infraestrutura de cloud computing da Sita será baseada em seis data centers interligados em Atlanta, Frankfurt, Joanesburgo, Singapura, Hong Kong e Sydney. Cada um deles irá cobrir uma região própria, e todos serão conectados à rede da Orange MPLS de alta velocidade.
A infraestrutura global permitirá à Orange e à Sita oferecer carteiras individuais de serviços de cloud computing: infraestrutura como serviço, plataforma de serviços, desktop como serviço e software como serviço. Ambas, Orange e Sita, continuarão com seus próprios serviços voltados para clientes finais.
As conexões de rede entre os data centers são protegidas com “níveis de proteção contra ameaças maliciosas”, segundo a Sita. A nuvem Sita/Orange vai oferecer um serviço altamente resiliente por meio de conexões redundantes, sites failovers e de rede inteligente, baseados em roteamento redirecionado para transferir o tráfego se houver interrupções, diz um funcionário da Sita. Um objetivo essencial é o desempenho consistente entre todos os data centers – as duas empresas têm o objetivo de atingir mais de 100 milissegundos de latência quando seus clientes operarem aplicativos na nuvem.
A Malaysia Airlines foi um usuário piloto da iniciativa da Sita para “todas as etapas da viagem de passageiros – desde a reserva até o check-in”, explica, por e-mail, o vice-presidente executivo de Estratégia Comercial para a companhia aérea, Dr. Amin Khan. Ele disse que sua empresa não experimentou nenhuma latência e o tempo de resposta “foi aceitável”.
A companhia ainda está avaliando se os serviços de nuvem da Sita levaram à redução de custos e ao aumento da agilidade. Segundo Ouillon, a Sita promete que as aplicações de desktop da Malaysia Airlines carregeum [abram] em até dez segundos. O tempo que leva para baixar os dados do data center para a área de trabalho é de alguns segundos, afirma ele. Um exemplo da funcionalidade é que a imagem de um ambiente de trabalho é publicada em site remoto para que o agente de companhia aérea possa ver na tela o que está acontecendo na nuvem.
“De repente, imagine executar seus servidores em uma infraestrutura compartilhada, e que você só paga o que utilizar, assim não é preciso gastar dólares com novos equipamentos”, diz Ouillon – porque, como com qualquer tipo de nuvem, ela é compartilhada e otimizada”. Companhias aéreas poderão vender ou reciclar seus servidores existentes, informa ele.
Todas as mais de 30 companhias aéreas da Sita declararam que estão interessadas nesse modelo de nuvem, não só para redução de custos, diz Ouillon, mas também por causa da flexibilidade e da maior agilidade para os negócios. “Se você pode ter os funcionários trabalhando em casa ou na Starbucks, se houver uma nuvem de cinzas sobre a Europa ou a gripe aviária, você pode, rapidamente, configurar desktops e servidores na nuvem e continuar a acessar a sua aplicação a partir de um iPad.”
O setor de transporte aéreo não está sozinho no reconhecimento dos benefícios de uma mudança para nuvens voltadas para indústrias específicas. O conceito também está levantando voo em indústrias fortemente regulamentadas como finanças e saúde.
Investindo em uma nuvem financeira
O setor de transporte aéreo não está sozinho no reconhecimento dos benefícios de uma mudança para nuvens voltadas para indústrias específicas. O conceito também está levantando voo em indústrias fortemente regulamentadas como finanças e saúde.
Investindo em uma nuvem financeira
A New York Stock Exchange (NYSE), bolsa de valores de Nova York, também está apostando em uma nuvem exclusiva para o setor. O ambiente regulatório nos mercados de serviços financeiros mudou nos últimos anos. Empresas, especialmente as menores, têm procurado novas maneiras de cumprir com os regulamentos, enquanto continuam fornecendo valor aos seus clientes.
“Há um movimento em direção à maior supervisão dos mercados financeiros, por isso as empresas têm de ser capazes de reagir a isso”, explica o vice-presidente de Desenvolvimento de Plataforma da NYSE Technologies, divisão da NYSE, Feargal O’Sullivan. “Há um movimento geral em direção à maior eficiência e ao comércio eletrônico, os dias em que havia um homem passando bilhetes durante o pregão de Wall Street se foram.” Além disso, diz ele, tem havido mudança nos tipos de instrumentos negociados, e uma necessidade geral de reduzir custos.
Durante o verão, a NYSE Technologies formou parcerias com EMC Corp e VMware. A negociação permitiu às instituições financeiras o acesso direto a serviços de tecnologia da NYSE por meio da recém-desenvolvida plataforma comunitária de Mercado de Capitais (PMCC). Empresas de Wall Street que se inscreverem na plataforma podem usar os servidores para ter acesso à pesquisa, incluindo dados analíticos e históricos de mercado que, anteriormente, eram armazenados em empresas individuais. A plataforma está disponível atualmente nos Estados Unidos e o plano é expandir para todo o mundo, começando, neste ano, em Toronto e em Tóquio. Até o momento, existem quatro clientes, informam funcionários da NYSE Technologies.
“A infraestrutura como serviço chamou a atenção das pessoas para o âmbito dos serviços financeiros”, diz O’Sullivan. Nos últimos anos, as companhias que foram capazes de adquirir a mais recente tecnologia e implementá-la à frente de todo mundo desfrutou de “grande vantagem”.
Mas agora muitas das empresas do setor tiveram de se atualizar, investindo muito na modernização da infraestrutura de tecnologia, perdendo assim a diferença de competitividade, diz ele. Enquanto algumas organizações ainda estão focadas em ter essa tecnologia de ponta, diz O’Sullivan, “não há tanta vantagem competitiva como era há cinco anos. As margens de lucro foram espremidas e o mercado não é tão ativo como costumava ser, então, obviamente, as empresas estão procurando reduzir custos e alavancar... uma plataforma compartilhada.”
A plataforma também reduz o custo de entrada para as empresas menores, porque dispensa a compra e a instalação de servidores, acrescenta O’Sullivan. “Nós fornecemos servidores físicos e se eles pedirem servidores virtuais, usam o Portal Director vCloud, o que dá aos clientes o acesso a um catálogo de serviços virtuais. Estamos construindo uma comunidade com empresas conectadas que querem negociar uns com os outros’’, diz O’Sullivan, ressaltando que a NYSE já tem uma conexão com “quase todas as empresas de serviços financeiros do mundo.”
A NYSE Technologies também está construindo um ecossistema de conteúdos e aplicações, diz ele, para que as organizações que se juntam à sua nuvem possam acessar um número crescente de recursos que não possuem para se desenvolverem. Entre os serviços oferecidos pela NYSE está um portal de gestão de risco, que valida as transações. A empresa também está trazendo outras companhias para a nuvem e que poderá oferecer grande variedade de produtos financeiros da NYSE, e também de seus concorrentes, como software de gestão de risco.
Companhias de serviços financeiros interessadas em participar são obrigadas a assinar um acordo com os termos e condições e são submetidas a uma verificação de antecedentes, como medida de segurança e como parte das exigências regulamentares, diz O’Sullivan.
A segurança está sendo tratada no nível de “aplicar o mesmo conjunto de políticas de segurança que usamos para proteger o mercado NYSE’’, diz O’Sullivan, que não forneceu detalhes específicos, citando a natureza desse setor.
Há dois preços para PMCC: o de locação mensal para acesso aos servidores físicos e o mensal para o NYSE Technologies, chamado de “Virtual Cloud Pack”, que incluiria, por exemplo, 96 GB de RAM e meio terabyte de armazenamento, diz O’Sullivan. Ele não revelou preços específicos. “Estamos confiantes de que somos muito competitivos em relação à qualquer provedor de nuvem em preços.”
Na proposta da NYSE Technologies, com conexão WAN, os clientes vão obter dados de mercado e negociação sem quaisquer taxas de largura de banda adicional. Além da NYSE, o provedor de serviços financeiros State Bank Street, com sede em Boston, recentemente também anunciou planos para construir uma nuvem financeira privada, oferecendo aos clientes aplicações em tempo real e serviços executados em vários data centers.
Compartilhamento pode ser bom
Compartilhamento pode ser bom
Os funcionários das indústrias dizem que muitas vezes as empresas percebem que há processos de negócios nos quais é vantajoso compartilhar com outros. “Eu poderia investir em [criar] meu próprio banco de dados de atividades fraudulentas, em que mitigação de risco de fraude é muito importante para mim”, diz o diretor de Soluções de Cloud Computing e Automação de Serviços da IBM, Moe Abdula. “Também posso adquirir essas informações com meus próprios meios a um custo maior, ou obtê-lo com um [parceiro] particular em um consórcio de nuvem ou ainda com uma comunidade que tem interesses mútuos em torno de processos específicos, presumivelmente a um custo menor.”
Ao avaliar se outras indústrias estão prontas para suas próprias nuvens, é importante notar que tanto a Sita como a NYSE têm o marketing da segurança e da confiabilidade de suas marcas junto às suas respectivas comunidades. “Desenvolvemos a confiança ao longo dos anos, e a ideia é aumentar essa confiança”, explica Ouillon. “A indústria se sente confortável com a infraestrutura de compartilhamento da Sita, e nos sentimos confortáveis em compartilhar a infraestrutura de TI entre eles.”
No nível da rede, a Sita tem uma série de mecanismos para compartilhar infraestrutura, diz ele, e os recursos podem ser estritamente privados, como se fossem em seu data center. Os clientes terão acesso direto à infraestrutura por meio da rede privada virtual, contando com a tecnologia MPLS ou acessando a internet por meio do protocolo de segurança IPSec, ou o que considerarem mais adequado, diz Ouillon. A infraestrutura é protegida por vários níveis de firewalls e aproveita a tecnologia VMware Hypervisor, implementando as melhores práticas de segurança para a separação adequada dos clientes.
Mas se um cliente solicitar, a Sita avisa que disponibiliza alguns de seus servidores para que outras partes possam acessar os aplicativos, diz ele. “Então, se você é um fabricante de aeronaves e enviar um aplicativo na nuvem e deseja anunciar para a comunidade, é possível.”
A Sita e a Orange Business Services estão agora totalmente empenhadas na execução e todos os contatos com os clientes, analistas e parceiros de tecnologia, confirmam a relevância e o valor da nuvem para comunidade, diz Ouillon. “Estamos confiantes de que a comunidade em nuvem é o caminho a seguir para alcançar agilidade nos negócios tão exigida pela indústria de transporte aéreo.”
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