O ano passado deve ficar marcado na história pelo advento de
tendências que acabarão por romper com os atuais paradigmas do setor. A
TI do futuro começou a ganhar novos contornos com conceitos e
tecnologias como mobilidade, consumerização, cloud computing, Big Data
e negócios sociais. Segundo especialistas, essas tendências criarão um
ambiente em que a gestão da tecnologia nas empresas ficará muito mais
complexa mas, ao mesmo tempo, vai gerar grandes oportunidades. A TI dos
próximos anos será a chave para o desenvolvimento de novos negócios e
para o aumento da competividade.
No ano em que se iniciou essa nova fase de transformações, outro
desafio da TI foi dar resposta à grave crise dos países desenvolvidos.
Em 2011, os números do setor mostram que ele respondeu bem às
dificuldades econômicas dos Estados Unidos, da União Europeia e do
Japão. Segundo a consultoria IDC, a TI deve atingir faturamento de pouco
mais de 1,7 trilhão de dólares, o que significará crescimento de 7,3%,
taxa que foi garantida, em grande parte, pelas nações emergentes como
China, Brasil e Índia. Para o mercado brasileiro, o instituto prevê
expansão de 13%, já para China e Índia, a expectativa é que tenham
incremento de 21% e 12%, respectivamente.
Cláudio Soutto Mayor, líder da área de Consultoria de TI da Deloitte,
diz que o ano de 2011 foi um período de aprendizado em relação aos
impactos causados pelo avanço do conceito de cloud computing,
mobilidade e necessidade de uso de soluções analíticas. “A combinação
desses três fatores acarretou em mudanças globais da TI. Mas aqui no
Brasil estamos em momento favorável na economia, que deve ajudar no
crescimento das empresas e consequente aumento de investimentos em TI”,
afirma.
Um pouco abaixo da média mundial, e representando algo em torno de um
terço do total do faturamento da TI global, o mercado norte-americano
deve apresentar aumento de 6,7% neste ano. Já a Europa Ocidental, não
crescerá mais do que 3,5%, segundo previsões da IDC. E o Japão, afetado
pela crise econômica e pelos efeitos do terremoto e pelo tsunami, que
atingiram o país no primeiro trimestre, terá desempenho negativo, com
recuo de 2,4%.
O gerente-geral da IDC Brasil, Mauro Peres, informa que as
dificuldades econômicas de 2011 foram amenas se comparadas à gravidade
da crise de 2008 e 2009, que levou à suspensão dos investimentos.
“Grandes projetos são os que mais sofrem quando há uma crise mais
profunda. E o que se viu em 2010 e 2011 foi a retomada de muitos
investimentos que foram interrompidos em 2008 e 2009”, diz o executivo.
Em 2011, prossegue, o mercado de serviços de TI manteve constância, por
ser mais estável.
Segundo ele, a expectativa é de que os países desenvolvidos cresçam
mais do que neste ano, com os da Europa apresentando incremento de 4,9%,
os Estados Unidos, 7,1%, e o Japão se recuperando, com expansão de
3,5%. Já os países emergentes sofrerão desaceleração, sentindo os
efeitos da crise econômica internacional. No entanto, esses mercados
continuarão com taxas mais altas. Na América Latina, a expectativa é de
alta de 9,8%, ante 13,2% em 2011, sendo que o Brasil expandirá 11,5%. “O
País vai continuar avançando, com previsão de crescer quase quatro
vezes o PIB”, afirma Peres, lembrando que o Brasil, junto com Índia e
China, continuará a ser um dos mercados mais cobiçados pelas empresas.
Segundo o analista de mercado da IDC, Martim Juacida “a mobilidade
está no centro das atenções dos consumidores”. A condição da economia no
País, somada ao fato de a classe média continuar com acesso a crédito,
faz com que o segmento aponte para números maiores a cada trimestre.
Mayor, da Deloitte, acrescenta à explosão da mobilidade, o aumento da
demanda por aplicações de inteligência de negócios, que acabaram
saltando para os dispositivos móveis, aprimorando e agilizando as
tomadas de decisão e aquecendo ainda mais a febre de tablets e
smartphones.
Independentemente do desempenho do setor de TI no mundo, o que não
muda são as atuais tendências para aquilo que a IDC definiu como a
“Terceira Onda de Tecnologia”. Segundo Peres, redes sociais, explosão de
dados, mobilidade e nuvem, são ingredientes disruptivos, que alteram a
forma como a Tecnologia da Informação será desenvolvida no futuro. Por
conta disso “o ambiente de TI está ficando mais caótico e mais difícil
de ser gerenciado. Trata-se de uma época em que a tecnologia está se
fragmentando. Um ambiente em que ela é mais complexa de ser gerenciada,
porém com maior potencial de se usá-la para gerar valor ao negócio”.
Com a explosão do universo digital, o gestor de TI precisa ter
consciência de que terá de trabalhar muito para minimizar o risco que
esse nível caótico pode gerar. Para o executivo da IDC, o CIO deve
conscientizar-se de que, cada vez mais, perderá o controle sobre a
tecnologia acessada pelos usuários nas empresas. “O crescimento de
informações em zetabytes é exponencial. Em 2020, vamos ter mais
smartphones do que PCs, até dez vezes mais servidores no mercado de TI
do que existem hoje, 70 vezes mais informações para serem gerenciadas e o
número de pessoas alocadas em TI vai crescer apenas uma vez e meia. E o
orçamento somente duas vezes maior”, diz.
Segundo dados do instituto de pesquisas Gartner, em 2010, a base
instalada de PCs móveis e smartphones superou a de PCs. Cerca de 20
milhões de tablets (como o iPad) foram vendidos em 2010, mas, até 2016, o
Gartner estima que 900 milhões de tablets serão comercializados, o que
representa um equipamento para cada oito pessoas do planeta. Até 2014,
os dispositivos baseados em sistemas operacionais móveis [como o iOS da
Apple, o Android do Google, e o Windows 8 da Microsoft] superem todos os
sistemas baseados em PCs.
“Há três anos, medimos o uso corporativo das redes sociais. Menos de
20% das empresas empregavam em 2009. Em 2011, mais da metade das
companhias já a adotou para alguma função corporativa”, diz Peres.
Para os analistas do Gartner, o crescimento das mídias sociais tem
significado o advento da informação instantânea, com a criação de um
ambiente para aplicativos sociais e preparado terreno para a era dos
negócios digitais. O vice-presidente do Gartner, Peter Sondergaard,
afirmou durante o evento Gartner Symposium ITxpo 2011, realizado no
final do ano passado, em São Paulo, que o próximo estágio da chamada
computação envolverá clientes, cidadãos e funcionários com os sistemas
corporativos.
“Com 1,2 bilhão de pessoas nas redes sociais - cerca de 20% da
população mundial – a computação em nuvem está em nova fase. Os líderes
de TI devem incorporar imediatamente as capacidades de software social
em seus sistemas empresariais”, disse Sondergaard.
Na opinião do executivo do Gartner, o tradicional data warehouse
empresarial, centralizando todas as informações necessárias para as
decisões, não terá lugar nessa nova era. Para Sondergaard, múltiplos
sistemas, incluindo gestão de conteúdo, data warehouses, data smarts e
sistemas de arquivos especializados, unidos com serviços de dados e
metadados, vão se tornar um warehouse “lógico” dos dados empresariais.
“A informação é o combustível do século 21, e as análises, o motor de
combustão”, descreve Sondergaard.
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