quarta-feira, 25 de abril de 2012

Comunicação unificada: um sonho distante?


O interesse das companhias pelas ferramentas de colaboração para compartilhar ideias com suas equipes em tempo real e acelerar a tomada de decisão serviu de esteira para a implementação de Comunicação Unificada, que vem do termo inglês Unified Communicationns (UC). Seu atrativo maior é que impacta diretamente na produtividade dos funcionários, que atualmente demandam mais mobilidade e acesso às ferramentas de trabalho de qualquer lugar, pelos mais variados tipos de dispositivos.

O conceito de UC passou a ser disseminado no mercado após a adoção das redes IP, que visam redução dos gastos com a telefonia convencional. A vantagem é permitir às companhias reunir em uma mesma plataforma todos os serviços de comunicação utilizados pelos seus funcionários como telefonia (fixa e móvel), e-mail, mensageiros instantâneos, videoconferência, colaboração, redes sociais.
A união desses serviços com as aplicações de negócios possibilita aos funcionários ter na mesa do escritório ou onde quer que estejam todos os recursos de que necessitam no dia a dia para trocar informações com outras equipes, clientes e fornecedores.
Uma das vantagens de UC é que as pessoas não precisam mais fornecer o seu número fixo ou de celular. “Elas passam a ter um único número para serem localizadas, não importa onde estejam. A solução se encarrega de rotear a chamada”, explica o especialista em comunicações unificadas & colaboração da IBM para a América Latina, Bruno Eugênio Javarez.
Outro benefício é permitir que os colaboradores carreguem com eles o seu ramal telefônico, desviando as chamadas para o celular, outros números ou em outro dispositivo com o programa softphone instalado. Caso a ligação não seja atendida, a mensagem de voz poderá ser ouvida pelo e-mail, por meio de arquivos de áudio. 
Pela tecnologia, é possível também participar de videoconferências do quarto de um hotel, aeroporto ou de qualquer lugar. Para isso, o usuário precisa ter aplicação nos terminais móveis e banda larga capaz de trafegar vídeo. “Com UC, as pessoas podem ficar uma semana fora sem interromper seu trabalho, visto que conseguem participar de reuniões e executar as atividades remotamente”, afirma o gerente de Marketing e Negócios da Microsoft, Eduardo Campos Oliveira.
Para facilitar a interação entre os funcionários, a plataforma mostra o status de presença de cada colaborador em ferramentas de comunicação instantâneas, como no MSN e Skype, informando em qual meio de comunicação está disponível no momento. O gerente de soluções e serviços da Siemens Enterprise, Juliano Menegazzo, garante que, além de reduzir custos, UC aumenta a produtividade e proporciona mais flexibilidade aos funcionários, o que gera retorno aos negócios.
“As pessoas perdem em média cinco horas por semana dentro das empresas, tentando se comunicar umas com as outras. Por mês, são 20 horas perdidas. Isso tem custos e gera impacto nos negócios”, diz o executivo da Siemens Enterprise.
O presidente da Avaya Brasil, Cleber Moraes, destaca que UC vem com a proposta de simplificar e melhorar a comunicação das organizações, que estão sendo forçadas a rever esses processos para acompanhar a dinâmica do mercado.
“O perfil dos usuários mudou e o poder da comunicação hoje está nas mãos deles. Eles têm celulares, tablets e querem levar seus terminais para o ambiente de trabalho”, constata Moraes. Outro problema é o uso das redes sociais, tanto pelas empresas quanto pelos funcionários, que também gera desafios de integração.
Além de ter de se preparar com os funcionários mais antigos, as companhias precisam adequar o ambiente de trabalho para a chegada da geração Y. Esses jovens gostam de se comunicar e compartilhar informações especialmente por meio de redes sociais e sistemas de mensagens instantâneas.
Essas novas exigências do mercado abrem oportunidades para a indústria de UC. A consultoria Forrester projeta que os negócios globais nessa área vão quase que quadruplicar nos próximos cinco anos, saindo de uma receita de 3,7 bilhões de dólares em 2010 para 14,5 bilhões de dólares em 2015.
Entretanto, a indústria terá de derrubar várias barreiras que impedem que esses negócios deslanchem. Elas vêm há alguns anos tentando convencer as empresas a aderirem ao conceito, que está mais avançado nos mercados europeu e norte-americano. No Brasil, o ritmo das implementações tem sido mais lento. Um dos motivos para isso são as adoções de redes IP, que começaram a ganhar força no País.

Barreiras para avanço de UC 
O custo alto para substituição do grande legado das redes convencionais de telefonia, a dificuldade de integração das aplicações de negócios e o problema da interoperabilidade entre as diferentes tecnologias de fornecedores são alguns dos obstáculos para o crescimento de UC.
A analista de telecomunicações do Gartner no Brasil, Elia San Miguel, lembra que o mercado vem falando de UC desde 2000, mas a tecnologia não deslanchou por causa da confusão gerada pela indústria na forma de apresentar o conceito.
“UC não é um produto só de prateleira. É um conjunto de soluções, que faz com que os ambientes de comunicação independentes se tornem convergentes”, destaca Elia.  Ela também aponta o drama do CIO para medir o retorno do investimento com a migração dos sistemas que funcionam nas redes Time Divison Multiplex (TDM) de telefonia convencional por IP.

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