Este ano, tanto a Microsoft como a Apple vão lançar versões novas de seus sistemas operacionais, que terão mudanças importantes na interface do usuário e uma enxurrada de publicidade. Uma terceira grande empresa também está reformulando seu sistema operacional para PCs, mas você provavelmente não vai ouvir falar muito sobre isso.
Esta empresa é a Google, que remodelou seu sistema operacional, o Chrome OS. Embora a Google seja uma grande rival da Apple e da Microsoft em coisas como busca na internet, smartphones e navegadores, o Chrome OS não causou nenhum arranhão na concorrência em seu primeiro ano de vida. A ideia é que fosse radicalmente distinto do Windows e do sistema operacional do Mac, uma mudança saudável para uma nova era. Mas o sistema tinha sérias limitações, a principal delas o fato de que seus aplicativos só rodavam em um navegador dentro de um punhado de notebooks especiais e de baixa potência chamados Chromebooks. E, desconectado da internet, não servia para quase nada.
A nova versão, que venho testando, pretende eliminar parte desses problemas — e faz algum progresso. Mas ainda não posso recomendá-la, no lugar de um PC ou Mac, para o usuário médio que busca a maior versatilidade possível em um laptop. Continuo achando que é mais um projeto em evolução do que um produto acabado.
Suas limitações básicas seguem aí. A mais importante é que você ainda não pode instalar seus programas favoritos, seja ele o Microsoft Office, o iTunes ou o Firefox — somente "web apps" (há milhares deles) que rodam dentro do navegador Chrome. E o sistema continua a ser compatível só com certos aparelhos: o laptop Chromebook ou — novidade este ano— um pequeno computador de mesa chamado Chromebox. Até aqui, a única empresa fabricando o modelo 2012 desses aparelhos é a Samsung, embora a Google diga que há outras a caminho.
O Chrome OS tem, sim, qualidades admiráveis — sobretudo a filosofia da simplicidade e a ligação estreita com a nuvem. Já que é feito para pegar aplicativos e documentos do usuário na internet, você pode, por exemplo, reproduzir seu computador inteiro com o mero login em qualquer outro micro com Chrome OS. Se você usar basicamente a internet e viver na nuvem, a solução pode ser ideal, sobretudo como um segundo computador.
Lançada no ano passado, a versão inaugural do Chrome OS não passava muito de um imenso navegador que rodava apenas aplicativos da nuvem. A nova versão do Chrome, lançada no final no mês passado, de certa forma é um recuo em relação àquela dramática estratégia.
No caso da nova versão, a Google está promovendo recursos que fazem o sistema parecer e funcionar mais como o Windows ou o sistema do Mac. É o caso de várias janelas deslocáveis, de uma barra na base da tela com os ícones de aplicativos usados, da ênfase um pouco maior em executar tarefas offline e no foco maior em localizar e rodar apps. Nada revolucionário para gente habituada a computadores tradicionais.
O que o Chrome OS é, exatamente, pode ser difícil dizer. Embora pareça muito com o navegador homônimo, o Chrome OS é um sistema operacional completo que, ao contrário do browser Chrome, não pode ser instalado em PCs e Macs. E mais: o Chrome OS não tem ligação nenhuma com um sistema operacional mais famoso da Google, o Android. Este último é feito para celulares, tablets e uma série de outros aparelhinhos.
Testei a nova versão do Chrome OS no novo Chromebook da Samsung, modelo que segundo a Google tem potência até três vezes maior do que o primeiro Chromebook. O notebook tem tela de 12 polegadas, pesa 1,5 quilo e tem 2 centímetros de espessura. Não fiz um teste formal da bateria, mas a Samsung afirma que tem autonomia de até seis horas, menos do que o propagado para o MacBook Air ou os novos ultrabooks com Windows. Em meus testes, a bateria durou um dia inteiro com uso leve a moderado. O Chromebook está à venda na internet e custa US$ 450 nos Estados Unidos. O modelo com um modem de celular 3G lento sai por US$ 100 mais. O Chromebox de mesa é uma caixa pequena que vem sem tela, sem mouse e sem teclado e custa US$ 330.
Por ser concebido basicamente como portal para a internet, o Chromebook tem pouca capacidade para armazenamento (quase tanto quanto um smartphone): 16 gigabytes, e não as centenas de gigas comuns em outros notebooks. E um processadorzinho chinfrim, um Celeron dos mais básicos da Intel.
Em meus testes, o novo Chromebook se portou bem e fez tudo o que prometia. Consegui usar (o que não ocorreu com o primeiro modelo) várias janelas independentes e minimizá-las ou redimensioná-las com facilidade. Deu para guardar aplicativos usados com frequência, que ainda são executados em páginas do navegador, na barra no pé da tela, que é parecida à barra de tarefas do Windows e ao dock do Mac. De novo, nenhuma novidade aí, embora seja um bem-vindo acréscimo.
Também consegui ouvir música e assistir vídeos, abrir e editar fotos e ver (mas não editar) documentos do Microsoft Office. São recursos bons, mas que também existem há muito em outros sistemas operacionais.
Em um ou dois meses mais, a Google pretende inserir automaticamente no Chrome dois recursos importantes: a integração do Google Drive, seu serviço de armazenamento na nuvem, diretamente no sistema de arquivo do Chromebook; e a capacidade de editar documentos offline. A versão beta desses recursos, que pude testar, funcionou bastante bem. O Google Drive já pode ser instalado e integrado nos sistemas de arquivo do Windows e do Mac.
Aliás, todos os recursos importantes do Chrome OS — que, no fundo, ainda não passa de um grande navegador — estão disponíveis nas versões para Windows e Mac do browser Chrome, incluindo a capacidade de rodar aplicativos na nuvem, programas como o pacote de produtividade da Google ou games online. A Google admite isso, mas diz que, ao transformar o computador inteiro em um navegador, simplificou a experiência toda.
A Google tem grandes planos para o Chrome OS. O sistema já vem com recursos que supostamente funcionariam muito bem em futuros aparelhos com tela sensível a toque.
De modo geral, no entanto,eu diria que, se em seu orçamento couber somente um computador, o melhor ainda é comprar um Mac ou um PC.
Originalmente publicado no Wall Street Jounal
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