O Rio de Janeiro vai estar pronto para sediar as Olimpíadas em 2016?
As habituais demandas de transporte e alojamento geradas por grandes eventos desportivos tornam-se ainda mais desafiadoras em uma cidade com aeroportos sobrecarregados, habitações precárias construídas sobre encostas íngremes e índices de criminalidade astronômicos. O exemplo dos Jogos Pan-americanos em 2007 não é muito animador: apesar dos investimentos, novas estradas e linhas de metrô e trem não se materializaram, nem a prometida despoluição da Baía de Guanabara.
No entanto, a cidade deu um passo fundamental nos preparativos: finalmente, um esquema eficaz para lidar com emergências está sendo montado. Em abril, mais de 100 pessoas morreram vítimas de deslizamentos de terra depois de 280 mm de chuva terem caído em apenas 24 horas. A resposta foi desordenada e caótica. “O prefeito Eduardo Paes identificou a falta de um sistema de respostas de emergência como o problema mais urgente da cidade a ser resolvido no período de preparação para as Olimpíadas”, explica Guruduth Banaver, da IBM. A empresa acaba de fechar um grande negócio com o Rio para suprir essa necessidade.
Banaver é o diretor de tecnologia do “Cidades mais Inteligentes”, projeto da IBM baseado em um pacote formado por consultoria, software e tecnologia de monitoramento, que permite uma resposta mais rápida e eficaz em caso de imprevistos. “Eu entrevistei pessoas que estavam lá no momento e assistiram aos vídeos, e ficou claro que ninguém sabia o que estava acontecendo”, disse Banaver. ”Redes de telefonia móvel ainda estavam funcionando e as emissoras de TV informavam os números de emergência, mas as linhas telefônicas estavam sobrecarregadas.”
Paes percebeu que a única forma de obter informações sobre o que estava acontecendo era através das câmeras do centro de monitoramento e fiscalização de tráfego da cidade. Da juventude passada em Connecticut, o prefeito lembrou os “dias de neve” e recomendou a todos que, se pudessem, permanecessem em casa naquele “dia de chuva”. “Essa simples decisão, por si só, ajudou a salvar vidas”, diz Banaver.
Difícil aprendizado
Se a estação chuvosa for igualmente difícil em 2011, o Rio estará mais bem preparado. A cidade agora dispõe de um sistema de previsão do tempo que permite enviar pessoas, suprimentos e veículos a áreas de perigo e colocar hospitais e autoridades em alerta antes que algo aconteça. Funcionários estão sendo treinados para prestar informações sobre necessidades e recursos através de um número de telefone dedicado a emergências. Mas a questão não se restringe às enchentes ou mesmo à gestão de crises, destaca Banavar: a chave é integrar dados e processos com o sistema urbano de transportes, obras e serviços públicos.
O transporte aéreo, em particular, é uma preocupação séria. Os dois aeroportos do Rio, o Santos Dumont (doméstico) e o Galeão (internacional), já estão operando acima da capacidade. O mercado brasileiro de aviação deve crescer cerca de 10% ao ano, pelo menos nos próximos três ou quatro anos. E a situação pode se agravar com a chegada das multidões de visitantes que virão para os Jogos Olímpicos. Em uma conferência em novembro do ano passado, o presidente da International Air Transport Association (IATA), Giovanni Bisignani, descreveu a infraestrutura de transporte aéreo do Brasil como um “desastre crescente” e disse que se o país quiser evitar uma “vergonha nacional”, é necessário implementar mudanças imediatamente. “Mas não vejo progresso, e o relógio está correndo”, acrescentou.
Contudo, outras coisas caminham bem. Uma delas são as bem-sucedidas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), um novo estilo de policiamento contínuo que está sendo estabelecido nas favelas. A política do governo era de prosseguir lentamente com esse modelo, mas a onda de roubos e incêndios de carros em novembro forçou a aceleração do ritmo. O Complexo do Alemão foi pacificado muito mais cedo do que o esperado. Desde então, os índices de crimes violentos e contra o patrimônio caíram no Rio, enquanto os criminosos vêm sendo retirados de seus luxuosos e confortáveis esconderijos.
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