Durante sua posse no Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (Codace), o ex-presidente do BNDES, Edmar Bacha revelou ao Opinião e Notícia sua preocupação com a inflação e a alta do dólar. Ele disse que o Banco Central poderá usar suas reservas para evitar uma desvalorização excessiva do real frente à moeda norte-americana. “As reservas existem para amenizar essas situações, inclusive pelo impacto que podem ter sobre a inflação, que já é preocupante.
Sobre a escalada dos preços, o “pai do Plano Real” avaliou que o risco de inflação é grande: “A votação da emenda 29, que obriga estados e municípios a aplicar, respectivamente, 12% e 15% de suas arrecadações tributárias na manutenção da saúde pública – além da pressão do salário mínimo de 14% em janeiro e dessa quantidade enorme de greves – tudo isso deverá comprometer o superávit primário”.
A divulgação na terça (20 de setembro) do resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) de 0,53% – entre 15 de agosto e 15 de setembro – surpreendeu os analistas de Economia. Muitos deles precisaram rever suas previsões do mercado e as projeções de inflação para setembro e para o ano.
Alimentos e transportes – principalmente as passagens aéreas – puxaram a alta. O indicador reflete o custo de vida das famílias com renda mensal entre um e 40 salários mínimos, residentes em nove regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Fortaleza e Belém, além dos municípios de Goiânia e Distrito Federal.
O IPCA é considerado o índice oficial de inflação do país e é coletado do primeiro ao último dia de cada mês. Já o IPCA 15 seria uma prévia de meio de mês – considerando também os últimos trinta dias. Para chegar ao índice são considerados nove grupos de produtos e serviços: Alimentação e Bebidas, Artigos de Residência, Comunicação, Despesas Pessoais, Educação, Habitação, Saúde e Cuidados Pessoais, Transportes e Vestuário. É o índice que serve para informar ao governo se suas metas de inflação estão sendo cumpridas.
Funcionários do IBGE pesquisam os preços em visitas a estabelecimentos comerciais, de prestação de serviços, domicílios (para verificar valores de aluguel) e concessionários de serviços públicos. Os preços obtidos são os efetivamente cobrados ao consumidor, para pagamento à vista. A coordenadora de Índices de Preços do IBGE, Eulina Nunes, explicou a Opinião e Notícia a rotina da pesquisa: “Isso acontece a cada trinta dias – quando os pesquisadores do IBGE visitam os estabelecimentos. As exceções são poucas, a exemplo das escolas, que são visitadas no início do primeiro semestre e no início do segundo”, revelou.
Depois dos mocinhos, chegou a hora dos vilões: as passagens aéreas em setembro subiram 23,40% em relação à média de agosto, fato que fez o grupo Transportes acelerar a variação para 0,70%. Os Alimentos e Bebidas também pressionaram a inflação: alta de 0,72% em setembro, bem maior que os 0,21% de agosto. Com o resultado anunciado hoje, o IPCA-15 acumula alta de 5,04% no ano e de 7,33% em 12 meses até setembro, bem acima da meta de inflação do governo – como foi citado acima – de 6,5%. Os Combustíveis também contribuíram. A gasolina – que vinha de uma queda de 0,17% – subiu 0,65% e o etanol saltou de 1,54% em agosto para 1,95% em setembro.
E se o assunto é combustível, Bacha encerra a conversa botando lenha na fogueira e criticando medidas recentes do Governo: “Deveria revogar imediatamente a decisão de aumentar em 25% o IPI para carros importados. Quando o governo provavelmente negociou isso com a Anfavea, o câmbio estava em R$ 1,55. Aí governo deve ter dito: ‘vamos dar uma gorjeta de 25% pra essa gente.’ Ocorre que o câmbio dos últimos dias já deu a gorjeta. Para que proteger mais as carroças brasileiras?”, concluiu.
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