Na opinião de Elizete Scatigna, sócia da Carvalho Advogados, não existe prática abusiva. “Eu não acho que os juros sejam abusivos nem injustos. Além disso, não vejo nada de errado em querer cobrar o cliente por não ter cumprido com seu papel, afinal o Código de Defesa do Consumidor dá respaldo para as empresas aplicarem esse tipo de atividade desde que não exponha o consumidor ao vexatório. Sendo assim, não vejo nada demais nessa prática. Mas acredito sim que seja importante que as empresas estabelecerem um diálogo transparente, com ética objetividade”, afirma.
Para Jefferson Frauches Viana, diretor executivo da Way Back, a indústria de crédito e cobrança precisa se adaptar e se ajustar a realidade desse consumidor. “Vejo que existe sim preocupação por parte das entidades que concedem crédito em querer educar financeiramente esse novo consumidor e de estar também negociando de forma mais ética, para que o cliente não repita os mesmos erros no futuro. E isso acaba dando um ganho positivo para a cobrança”, diz.
“Cada cliente tem um perfil de dívida, por isso para que todo esse ciclo funcione corretamente com ética é essencial que as empresas treinem seus funcionários, para que possam avaliar com precisão o histórico e situação atual do consumidor, estabelecendo assim um diálogo de confiança e transparência. Essa é a melhor forma para recuperar o aquele cliente que possui pendências”, opina Elizete.
Para exemplificar a preocupação das empresas em querer mudar o cenário de inadimplência brasileira, os palestrantes citaram a realização de mutirões para negociação de dívidas. “Acho válida essa iniciativa, pois hoje há cerca de 40 milhões de CPFs negativados, e muitas dessas pessoas querem limpar seu nome, recuperarem seu crédito, mas não sabem quem procurar. Acredito que estamos evoluindo, pois esses mutirões trazem resultados muito positivo”, comenta Anna.
Fonte: Congresso Consumidor Moderno
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